terça-feira, 22 de setembro de 2009

O GUAXINIM
>> Felipe Peixoto Braga Netto

Isso é triste, não devia poder. Acabei de ler que um guaxinim (puxa, que emoção, nunca tinha escrito guaxinim antes) andou quase trezentos quilômetros. Até aí tudo bem. Tudo bem em termos, não foi uma caminhadinha qualquer não. Nem para um guaxinim. Foi um recorde. Nenhum antes andou tanto.

E sabe para que tudo isso? Para encontrar uma fêmea. É, um guaxinim atleta, mas sobretudo romântico. "Machos são orientados pela reprodução e continuam caminhando, até achar uma fêmea apropriada", explica Frank-Uwe Michler, biólogo membro da GWN (uma tal de Sociedade para Ecologia Selvagem e Conservação da Natureza).

Mas o mundo não é justo. A épica jornada do bravo guaxinim em busca do par perfeito acabou na armadilha de uma caçadora, perto da cidade de Bremerhaven, longe, muito longe do Parque Nacional de Müritz, seu ponto de partida. O nosso herói morreu assim, sem homenagens nem amor.

Puxa, Waschbär, que coisa! E nem sua alma gêmea você achou. Pelo menos se morressem vocês dois juntos, a coisa tinha, sei lá, um ar romântico. Seria até possível que o Shakespeare de vocês escrevesse um Romeu e Julieta guaxiniano, mas você tem que se contentar comigo. O mundo não presta. (Ah, Waschbär é guaxinim em alemão. Puxa, leitor, tenho que explicar tudo?).

Estou abalado, nem vou acabar a crônica. Só faço um registro factual. Os guaxinins machos andam bastante, já vimos. As fêmeas, bem, as fêmeas não tanto assim, elas preferem outras coisas. O mesmo biólogo ressalta: "As fêmeas são diferentes. Elas se preocupam com boas condições de vida e não andam mais que o necessário".

É, as fêmeas são mais espertas. Sempre foram. Eu sempre achei.

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3 comentários:

Ana Lucia disse...

Muito bom! Adorei e fiquei com uma dó do pobrezinho!

Um abraço!

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Oba, temos mais um escritor de crônicas clássicas no Crônica do Dia: aquelas que partem de um fato cotidiano ou de uma notícia e chegam até uma reflexão mais ampla.

Carla Dias disse...

Ok... Coitado do guaxinim macho, que morreu sem amor correspondido. Mas também coitada da guaxinim fêmea que, apesar da esperteza, ficou sem seu príncipe encantado.