quarta-feira, 17 de junho de 2009

DESAFINADA NA FICÇÃO C. >> Carla Dias >>

Ontem assisti ao filme “O dia em que a terra parou” (The Day The Earth Stood Still), lançado em 2008 com roteiro de David Scarpa inspirado no roteiro de Edmund H. North para a versão cinematográfica lançada em 1951. Edmund H. North se inspirou no conto “Farewell to the Master” do escritor de ficção científica, Harry Bates.

Se tantas pessoas se inspiraram de forma grandiosa com a idéia de um extraterrestre vindo a Terra e ameaçando a nossa existência para preservar o planeta, talvez possamos nos inspirar a pensar um pouco sobre o que o filme aborda, de forma mais próxima da nossa realidade, porque apesar de transbordar fantasia (vai saber...), o filme toca em pontos cruciais, como o questionamento sobre quem é o responsável pela humanidade... Por cada um de nós. Obviamente, não é nenhum presidente, nem mesmo um ícone religioso. No meu entendimento com essa questão, só posso pensar que todos somos responsáveis, o que nos leva à certeza de que esse cuidar somente será válido mediante uma união entre seres humanos, e não pela unificação de siglas, delimitação de áreas, fortificação de gangues especializadas em vender histórias adaptadas aos preconceitos e desrespeitos mais populares.

Mas isso não é nenhuma novidade, não é mesmo?

Na realidade, o filme em si me deixou querendo respostas para as perguntas do extraterrestre. Se eu fosse cineasta, me arriscaria a um segundo remake, mas dessa vez construindo a história de forma que as perguntas fossem respondidas, ainda que as respostas não fossem as corretas.



Não gostei do tal robô-extraterrestre. Apesar de saber ser ele importante para a trama e que, certamente, o foi na versão de 1951 e o mesmo serve ao conto, na minha visão a credibilidade do tema se perdeu. Não houve como não me lembrar da época em que assistia Spectreman na televisão. De tão tosco, o seriado era bacana. Mas em um filme que discorre sobre a seriedade de forma densa e tensa, fica difícil não soltar um belo “o que diabo esse treco está fazendo aí?”, quando o robô-extraterrestre aparece. Acredito que a criatividade poderia ter construído uma boa metáfora para o gigante em questão.

Não é uma crítica ao filme, até porque quero assisti-lo novamente, depois de assistir o anterior e ler o conto. Na verdade, é apenas uma visão embaçada de uma pessoa que nunca foi além na ficção científica e que foi - e continua sendo - fã da série Arquivo-X. Esses lugares desconhecidos, os seres que não somos nós que já nos estranhamos... O surreal misturado com o real e palpável pode dar crias fantásticas.

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“Inimigo Meu” (Enemy Mine/1985) é uma prova de que a ficção científica pode ser poética. Este é dos filmes mais queridos, que me encantou profundamente e de tal forma, que sempre volto a pensar sobre ele, apesar dos mais de vinte anos que me separam da primeira vez que o assisti. Para mim, este filme trata com respeito o fato de que somos capazes de compreender o diferente quando estamos abertos a isso, até para que seja possível que se faça o mesmo por nós. E que é preciso saber o motivo de nos tornarmos inimigos de uma ideia, pessoa ou até mesmo de um país, assim como é preciso aceitar que nem sempre há um motivo para a oposição, portanto, para que semeá-la gratuitamente?


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www.carladias.com
http://talhe.blogspot.com



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Um comentário:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Esse é um tema fascinante, Carla. Pelo que li do que você escreveu, acho que você vai gostar do filme Presságio, que ainda está em cartaz nos cinemas:
http://www.youtube.com/watch?v=KgRPpoqFR4w