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QUE MUNDO ESTAMOS CRIANDO? >> Clara Braga

Em apenas um dia, me deparei com a triste notícia do suicídio de duas pessoas diferentes.

Talvez essas pessoas até tivessem muitas coisas em comum, mas como não se conheciam, não poderíamos afirmar com certeza. Um ponto em comum eu reconheço facilmente: os dois eram artistas.

Artista, como qualquer outra profissão, tem sua dor e sua delícia de ser. E uma característica comum entre os artistas é justamente a sensibilidade, e ser sensível e isolado nos tempos de hoje, definitivamente não é tarefa fácil.

Quem ficou fica com a memória, com os questionamentos, tentando compreender o que leva uma pessoa a chegar nesse ponto. Os mais próximos chegam até a sentir um pouco de culpa, afinal, será que deveriam ter prestado mais atenção à algum sinal, se é que eles existem?

É cruel para quem vai, é cruel para quem fica.

Nesses momentos em que somos testados, em que somos colocados nos nossos limites, parece que as máscaras sociais caem, e embora a gente tente manter a classe para colocar nas redes sociais que estamos nos exercitando três vezes por semana, preparando comidas orgânicas diariamente, fazendo faxina felizes e lendo todos os livros que anualmente nos comprometemos a ler e não lemos, eu não conheço um só ser humano que até esse momento não tenha se sentido pelo menos um pouco mais triste ou pensativo nesse período.

E a verdade é que está tudo bem, precisamos parar com essa loucura de que temos que ser sempre produtivos, sempre ativos, sempre facilmente adaptáveis à qualquer situação. Nunca me encaixei e talvez nunca me encaixe nessa conversa de que a única coisa que precisamos fazer é mudar o tal mindset e tudo ficará bem.

Talvez o que a gente precise fazer mesmo nesse momento é parar de nos culparmos pelo que não conseguimos ser, olhar para os papeis que estamos desempenhando na nossa vida e refletirmos se é esse caminho que queremos seguir.

E quando digo que precisamos refletir sobre nossos papéis, não estou falando apenas para pensarmos nas consequências dos nossos atos para nós mesmos, mas principalmente na consequência dos nossos atos para aqueles que estão ao nosso redor.

Não estamos sozinhos no mundo, você já se perguntou que tipo de mundo está construindo já que não é só você que vai viver nele?

Comentários

Eu disse…
Caramba que forte!
Muito boa essa crônica, por mais textos q nos aliviam e fazem com que busquemos melhorar o jeito de viver.
Carla Dias disse…
É isso, Clara, o "nós" é tão importante quanto o "eu". Um não vive sem o outro, e não nos pouparmos de sentir as aflições e tristezas, indo contra os mandamentos da autoajuda, é uma das coisas que nos conectam.