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ADEUS >> Paulo Meireles Barguil



"[...] a fonte do medo está no futuro e
quem se liberta do futuro nada tem a temer."
(Milan Kundera, A Lentidão)


Os ateus também se despedem assim ou preferem tchau?


O que (não) pronunciei por ignorar que seria o último encontro?


O que (não) proferi por saber que era o derradeiro esbarro?


Às vezes, o coração fica inteiro na chegada e quebrado na saída.


Outras vezes, é o contrário.


Muitas vezes, de qualquer jeito.


É arriscado escrever e publicar o desenlace quando esse ainda não aconteceu.


Por isso, algumas coisas ainda não podem ser ditas.


Outras nem depois do remate!


Sou muito grato aos que cuidaram de mim, aos que acreditaram em mim.


Conduzi-me guiado pela honestidade, lealdade e sinceridade, mas admito que escorreguei...


Apliquei os meus talentos no que acreditei, mesmo se destoasse do som dominante.


Preferi ser generoso mais com atos do que com palavras, pois essas se evaporam rapidamente.


Tive momentos alegres, embora desconfie que não os desfrutei como poderia.


Os dissabores me tornaram uma pessoa comedida, apesar de eu ter tentado abrandá-los.


Encontrei pessoas, viajei, li, escrevi, inventei, sonhei.


Ainda há coisas que quero fazer, mas não repilo o arremate, pois aceito-o como natural.


Sugiro o seguinte epitáfio: "Estou indo na frente!".

Comentários

branco disse…
egoisticamente sugiro que vá. mas antes, demore-se por aqui um pouco mais e brinde-me com suas palavras, ainda egoisticamente, quando me saciar (acredito,
deva demorar uns 50 anos) te direi, "- pode ir agora ."