O PÚBLICO >> Fred Fogaça


Frente a frentes, o homem como que vocifera a ingratidão de outrem na sutileza do olhar: ninguém diz palavra, mas riem e riem e riem e do que?, do que não se sabe, do que não se vê - é provável: o homem intranquilo recalcitra contra os aguilhões de que lhe acusam o que não se ouve a ouvido nu, ali, frontes a frente é o que lhe resta, ele combate o bom combate, ele faz o que pode: o discurso é reconfortante mas distante por minutos que não se esgotam e o silêncio, bem, o silêncio, há de se entendê-lo para domesticá-lo mas o tempo se desdobra ao vil prazer do sofrimento, como pra evitar, claro, a segurança das palavras que acalenta a moral pesada de memórias: reconsidera uns confortos que não justificam aquelas frontes que riem e riem e riem e no triz do instante, no ápice da cruzada o homem se empertiga e cresce: ele olha só mais um pouco, sorri e desce.

Comentários

branco disse…
muito bom, muito bom....cada vez nais econômico nas palavras e superlativo em significantes. corrigindo...melhor que muito bom, muito melhor!
Sandra Modesto disse…
Parabéns pelo texto. Muito lindo
Zoraya Cesar disse…
Príncipe das Entrelinhas. Cada vez melhor.

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