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POEMA A QUATRO MÃOS >> Sandra Modesto



Arte: Lahus





 
 
  
O livro aberto
Por perto há olhares
Sons sensatos
Notas procuram algum tom

Algo de Carlos derramado 
Doces cafés 
Talvez amargos...
Os dias com Clarice

Goles
Porres
Gulas.

Calmo amor espichado
Um verso escorregue pela mão
Mais um verso.

Apaga
Recomeça
Vai seguindo
Olhos arregalados

Medonhos e imprecisos caprichos
Sonetos contando sacanagem
Pira respira inspira e prossegue

Ele chega com flores. Ela só quer preguiça
Ele pede um canto
Ela prefere um conto
De repente um pensamento

Quem sabe amenizar a dor do tempo

Só um gesto ela já sabia
Sempre à luz do dia
Ao sair pra o trabalho
Carlos pega o controle remoto e sintoniza no canal de áudio
Só para Clarice ouvir:
“Todo o sentimento”
“O meu amor”
"Se eu soubesse"
"Dueto"

Por isso havia roçar de corpos
Mentiras interessantes
Libidos sinceras.
Laços
Feitiços
Toques carinhosos ali.

Gostava dela porque ela escrevia poemas
Gostava dele porque ele desenhou pra ela.

Comentários

Laércio disse…
Parabéns!! Você brinca com as palavras e a crônica parece letra de uma valsa. E eu fui "valsando"....
Albir disse…
Que beleza, Sandra! As imagens se impõem!
Sandra Modesto disse…
Laercio, obrigada pela dança.
Sandra Modesto disse…
Albir, muito bom saber que você gostou.
Nádia disse…
Que coisa mais linda! Tão melodioso que parece uma música, uma dança, um jeito da vida!
Sandra Modesto disse…
Nádia, Obrigada pelo elogio.
Zoraya Cesar disse…
O comentário do Laércio fez coro em mim! Uma valsa, sim! Dançada ao som das pequenas coisas invisíveis do cotidiano. Engraçado é que, relendo, a melodia muda, mas a dança é a mesma. Gostei muito!
Fred Fogaça disse…
Isso chega me da saudades da poesia!