quinta-feira, 23 de março de 2017

CHUCK BERRY>>Analu Faria

Chuck Berry morreu. Sim, eu sei, o presidente disse que mulher tem valor porque sabe o preço do mercado. Mas Chuck Berry morreu. Pois é, um atentado terrorista horrível aconteceu hoje na Inglaterra. E sábado Chuck Berry morreu. A terceirização foi aprovada na Câmara dos Deputados, mas você sabia que Chuck Berry morreu? Certamente a reforma  o desastre trabalhista sai este ano. E quando sair, Chuck Berry, o pai do rock, estará morto. Chuck Berry que fez música como quem mata aula para  beber cerveja num boteco estranho com gente esquisita. Chuck Berry de "My ding-a-ling", canção que me fez chorar de rir quando tudo ao meu redor era sertanejo idiotizante (que resolveram chamar de "universitário").

Chuck Berry morreu, mas foi só isso que se disse dele. Aparentemente, não se fala em seu legado. Sei lá, vai ver que é porque não se fala de cor em época de daltônicos. Chuck Berry revolucionou o mundo ao dar voz a uma era nova, pós-guerra e crente que o mundo seria uma grande esfera de felicidade technicolor. Não foi. E daí? O que importava é que o momento era de espalhar que se podia, sim, ser Johnny B. Goode. 

Precisamos falar sobre Chuck Berry , mesmo que nosso tato seja falho, que os olhos só vejam cinza, que o gosto azedo da crise seque a boca, que o olfato só sinta o cheiro de carne podre da Friboi. Se esses sentidos falham hoje - vide Trump, Bolsonaro, Estado Islâmico - que o rock não morra nos nossos ouvidos.


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3 comentários:

Eriberto Carvalho disse...

Analu você tem razão! As vezes buscamos tanto para valorizar que nos esquecemos que o valor já vem implícito no que fazemos. Assim como as notícias, quando buscamos tempo para falar de algo, imediatamente já o valorizamos. Confesso que de Chuck Berry o que ficou em mim foi o tempo que vivi ao som de suas gralhadas nas músicas que permearam minha juventude. Mas, como juventude é um estado de espirito (McArthur) continuaremos jovens cada vez que mergulharmos nas recordações e conseguirmos mistura-las à realidade, por mais cruel que isto possa parecer. Assim como você fez no texto, vejo o tempo nessa grande mistura onde a música vai dando um poder paralelo às pessoas para que suportem a carga do que é feio e difícil. Obrigado por sua reflexão que me obrigou à minha!
Eriberto

Zoraya disse...

Analu, às vezes acho que as coisas realmente boas, e que foram lembradas por várias gerações, encontrarão seu fim nessa década cinza. Texto bom demais, como sempre. Beijos berry

Carla Dias disse...

Chuck Berry vai fazer a maior falta. Ainda bem que a música ficou... Ela sempre fica. que os distraídos não a deixem guardadinhas em gavetas. Que aumentem o volume.