terça-feira, 8 de dezembro de 2015

SOBRE PLANOS, SHOWS DO ROBERTO CARLOS
E O FIM DE ANO DA GLOBO
>> Clara Braga

Sinais de que o ano está mesmo acabando: Papai Noel já chegou no shopping, os shoppings estão muito mais cheios, Brasília está mais vazia, as casas já estão decoradas com motivos natalinos, todos os grupos do WhatsApp já estão combinando suas confraternizações, aumentou consideravelmente a quantidade de campanhas de arrecadação de brinquedos e doações gerais, algumas pessoas já estão de férias, os artistas da globo já se reuniram para cantar aquela mesma canção de sempre que passa uma vez na televisão e te deixa repetindo aquele refrão por uma semana seguida e, claro, o Roberto Carlos já organizou seu especial de fim de ano.

Não adianta, tem coisa que não vai mudar, o Roberto Carlos vai cantar "Como é grande o meu amor por você" e distribuir flores, a Globo vai gravar o show da virada e jurar que nada foi playback, o consumo de roupas brancas vai aumentar, a Fátima Bernardes vai entrevistar um vidente que vai fazer previsões extremamente generalizadas para o ano que vai começar, os programas de culinária vão ensinar a preparar uma ceia de dar água na boca, as pessoas vão fazer novos planejamentos, 90% vão incluir e/ou repetir emagrecer como um dos objetivos mas só uns 50% ou menos vão de fato manter esse objetivo como prioridade e não precisarão entrar em pânico com a sua imagem no espelho no próximo verão.

Enfim, é como eu disse, tem coisas que não mudam. E quer saber, não tem problema. Muitas dessas coisas fazem parte desse clima gostoso de renovação, de esperança, não teriam mesmo porque serem diferentes. Claro, de muitas delas a gente vai reclamar, vai dizer que ninguém aguenta mais o Roberto Carlos, mas o dia que não tiver mais algum especial dele, a notícia vai ter que ser dada no plantão da Globo com aquela música macabra, pois algo grave terá acontecido.

Por outro lado, tem coisa que não dá mais. Se eu fosse começar meu planejamento de 2016 agora, começaria pelas frases que eu não quero mais dizer:

“Não acredito que, em pleno 2016, ainda temos que lidar com pessoas ignorantes que utilizam as redes sociais para fazerem comentários racistas.”

“Não acredito que, em pleno 2016, as mulheres têm que ter medo de saírem na rua sozinhas e sofrerem algum tipo de agressão ou serem estupradas e ainda terem que ouvir que são culpadas.”

“Não acredito que, em pleno 2016, as pessoas que deveriam ser as principais propagadoras do amor ao próximo incentivam as pessoas a apedrejarem outras por causa de suas orientações sexuais. E, pior, não acredito que tem gente que obedece!”

“Não acredito que, em pleno 2016, uma pessoa com deficiência precise deixar de fazer algo por falta de acessibilidade.”

“Não acredito que, em pleno 2016, a escolha pela profissão de professor ainda seja mal vista.”

Enfim, essas são só algumas das que pensei para o início do planejamento, mas com certeza vou revisitar essas frases, modificar e acrescentar algumas. Sem falar da parte mais leve e descontraída do planejamento que inclui, claro, a perda de peso. Sim, eu sou parte dos 90% que sempre incluem essa parte como meta, mas não dos 50% que só põem em prática no outro verão. E também faço parte dos 90% que reclamam do Roberto Carlos, mas estranhariam se não tivesse o programa dele, apesar de não assistir. E também dos 90% que acham brega a música de fim de ano da Globo e cantam durante uma semana sem nem se darem conta do que estão fazendo. E também dos que ficam esperando o vidente da Fátima Bernardes dizer qual vai ser a cor de 2016 para usar na virada, apesar de não acreditar nessas coisas! 


Pensando bem, vou começar minhas metas com: ser menos previsível.


Partilhar

2 comentários:

Ediani Oliveira disse...

"Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou" como chegar ao término do ano sem ouvir essa música? como não vestir a cor que o vidente indicou para a virada no programa da Fátima? impossível né. Que 2016 seja um ano de paz, amor, realizações, mas também de respeito e conscientização, juntamente com canções clichês e o especial do Rei.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Gostei dessa meta de não ser previsível, Clara. :)