segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

FAÇA UMA "HASHTAG" >> André Ferrer

A vida traz perdas e agressões. Um belo dia, a natureza, que é selvagem, cumpre o seu papel. Dentro da bolha de plástico, a existência torna-se insustentável.

Coisas das quais nem papai nem mamãe escapam. O filhinho, então, nem se fala! Recorrer a quem? Aos direitos civis? Às passeatas?! À arte performática?!

Impossível. Nos dias de hoje, sequer recair no erro da birra, uma criança pode.

Os bebês da Geração Z (nascidos a partir de 2001) nascem geniais, mas precisam de Ritalina quando chegam à escola. Dominam, decerto, os “tablets” e os celulares, mas é da mesma forma que, há séculos, filhos de lavradores chineses, ainda muito novos, dominam o ábaco e os fundamentos das quatro operações. Em jogo, as mesmas capacidades humanas que moviam qualquer membro das gerações anteriores à Z, a Y (1980 a 2000) e a X (1965 a 1979), bem como qualquer “baby boomer”, que é como se chamam os nascidos entre 1946 e 1964, com o seu chocalho do “Mickey Mouse”; a mesma curiosidade, enfim, que agitava um bebê macedônico agarrado ao seu brinquedo feito de seixos e conchas.

Muitos, hoje em dia, creem que as crianças deixam o útero adaptadas ao “touchscreen”, o que não passa de mais uma daquelas imposturas domésticas. Ora, não se trata, tampouco, de um salto evolutivo patrocinado pela Nova Era.

Importa, de fato, é que os brinquedos disponíveis em épocas anteriores respondiam sempre da mesma forma e, a não ser que pais e mães otimizassem o jogo, o objeto pouco intuitivo — tanto para crianças quanto para adultos — em nada modificava o comportamento humano. Afinal, quem tinha a obrigação de estimular a inteligência dos filhos eram os pais e não Pou, o alienígena com cara de cocô.

Neste cenário, como a Geração Z chegará à maturidade? Especialistas e consultores de RH profetizam uma grande crise no mercado de trabalho quando esses jovens imediatistas começarem a ocupar seus postos. Capazes de manipular todo aquele aparato tecnológico serão, também, capazes de solucionar um futuro construído sobre alicerces tão assépticos?

Eis o problema: fecham-se as portas de um mundo a ser explorado. Sem o desafio de provas que não só demandam respostas, mas respostas que precisam de tempo para surgir, o homem cresce, fica velho e morre questionando a vida nos termos mais patéticos e risíveis possíveis.

Então, a natureza é intolerante?! Preconceituosa?! Processe a decrepitude por danos morais. Faça uma “hashtag” contra o Mal de Alzheimer, o câncer e a morte. 


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