quarta-feira, 4 de novembro de 2015

PAUSAS >> Carla Dias >>


Quando os dias ficam mais insanos do que o usual, e a cartela de analgésico é esvaziada sem percebermos, o corpo deseja um descanso que você não pode dar. Quando assim, nesse estado de estresse ao cubo, se não nos rendemos à exaustão, observamos a vida de outra perspectiva.

Assim como faço agora...

Escrever, ainda que sobre situações escabrosas, me acalma como nenhum calmante conseguiu, ao menos até hoje. É comum eu rabiscar algo em momentos em que a casa está realmente caindo. Cinco minutos depois, volto mais tranquila, pronta para reconstruí-la.

Agora, por exemplo, escrevendo a crônica da semana, eu apazíguo um pouco. Não é descaso com o que tem de ser feito, mas sim bálsamo necessário. O que tem de ser feito o será, mas precisei dar um passo para trás para observar a situação e aquietar o coração.

Pobre coitado... Açoitado constantemente por taquicardia.

Não vou colocar a culpa dessa necessidade de repensar as loucuras adquiridas, em nome de um trabalho concluído com esmero, na conta da contemporaneidade da loucura que o ser humano abraça ao se jogar ao mundo. Tudo é urgente, pra ontem, pra daqui a pouco, era pra ontem, enfim, não há pausas quando você tenta arcar com a responsabilidade do outro.

Eu adoro pausas.

Escrevo aqui, hoje, neste momento, porque abracei uma pausa. Eu a mereci, vocês podem acreditar. Ela não iluminará minha alma com insights, mas certamente me ajudará com a dor de cabeça. Ela e o analgésico, claro.

Pausas são necessárias. No meio de uma grande confusão, elas operam milagres. Parar, respirar fundo, fazer um algo que lhe caia bem, para então retornar, o espírito mais leve, a capacidade de compreensão mais apurada.

É preciso dar devido valor às pausas.

Pausas nos lembram de que somos limitados, se não física, emocionalmente. Não sabemos — ou somos capazes de — lidar com tudo... Com o absolutismo do tudo. O simples fato de que existe o que não podemos mudar comprova isso. Ainda assim, teimamos.

Sei que levamos uma vida desafiadora. Lidamos, diariamente, com consequências drásticas, oriundas de escolhas cruéis. Mas também encontramos, no meio do caminho, aquelas pessoas que nos inspiram a conquistar mais espaço para as pausas, somente para uma boa conversa sobre levezas. Esses detalhes que nos confortam quando precisamos equilibrar várias situações ao mesmo tempo, e nem percebemos que, na verdade, algumas dessas responsabilidades não nos pertencem.

Fim da minha pausa.


carladias.com

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3 comentários:

Zoraya disse...

Você é uma ótima pausa, Sra. Carla Dias! beijos

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, ainda bem que tem mais pausa sua semana que vem. A minha pausa foi muito bem empregada em ler você. :)

Carla Dias disse...

Zoraya... Ah, que bom ser pausa, de vez em quando. Beijos!

Eduardo... Obrigada pela sua pausa! Beijos!