terça-feira, 3 de novembro de 2015

É TUDO CULPA DA LUA >> Clara Braga

Relacionamentos são difíceis. Natural que seja assim — tanto pra você quanto pra mim — desculpem, mas não resisti à interferência. Bom, voltando ao assunto, as pessoas são diferentes, foram criadas de formas diferentes, passaram por diferentes situações na vida e quando começam a se relacionar, toda essa diferença de uma vida pode acabar entrando em conflito.

É claro que se tudo está entrando em conflito é porque algo está errado, afinal, se você escolheu se relacionar com aquela pessoa vocês devem ter algo em comum. Agora, se você gosta do quarto sempre arrumado enquanto ele prefere não arrumar a cama no fim de semana, você prefere assistir o show pela tv, ele prefere ao vivo. Sua comida predileta é lasanha, a dele é guacamole. Ele quer saltar de paraquedas, você morre de medo de altura. Você prefere cozinhar, já ele gosta de conhecer novos restaurantes. Você prefere um exercício ao ar livre, ele academia. Você adora comprar CD’s para ler o encarte, ele acha besteira, muito mais fácil baixar a música. Tudo isso é normal.

Esses conflitos podem ser resolvidos com uma conversa, durante a semana a gente cozinha, fim de semana conhece um restaurante novo. Você vai para a academia, eu vou correr no parque e a gente se encontra depois para tomar um açaí, que tal? Agora, claro que se todo fim de semana você pede para ele arrumar a cama, ele diz que vai arrumar e não arruma, toda vez que vocês marcam alguma coisa você tem que esperar horas até ele chegar, nunca consegue cumprir horário, enfim, brigas vão acontecer, depois vão se resolver (ou não) e isso se chama relacionamento.

Isso tudo eu falei pensando em relacionamento amoroso. Fora isso, ainda tem aqueles relacionamentos que você nem escolheu ter e tem que lidar com. Aquele sem noção do trabalho que só faz comentários impertinentes e a ética não te permite responder à altura. Ou então a namorada do seu amigo que é uma chata, mas fazer o que, seu amigo está apaixonado e você vai ter que suportar e se segurar para não dar umas patadas na mulher. Família então nem se fala. Aquele tio que só conta piadas sem graça, fala mal de todo mundo e piora quando fica bêbado no Natal, só pode ser karma. O aniversário do filho daquele primo que quando passa por você na rua nem te reconhece. Ambas as situações são campeãs dos sorrisos falsos, mas é isso, temos que lidar. E o pior é que o relacionamento amoroso a gente ainda pode terminar quando está muito ruim, a família é a família, muito mais complicado.

Bom, e como se já não fosse difícil o suficiente termos que cuidar dos nossos relacionamentos, ainda temos agora que lidar com o fato do Chimbinha ter traído a Joelma. Pô, Chimbinha, Natal chegando, espírito do Papai Noel contagiando todo mundo, tinha que ser agora? Aí, como se não bastasse você já ter que explicar para o seu namorado que você não estava brigando com ele, muito menos querendo arrumar confusão, você só estava pedindo para que da próxima vez que ele for atrasar ele te avise, você tem que parar para entender o que exatamente o Chimbinha fez para que a Joelma desse uma leve surtada e incentivasse a plateia a atirar garrafinhas de água no ex-marido. Quase uma releitura do Carlinhos Brown no Rock in Rio, e ele nem precisou perguntar se alguém estava com sede. E como se não fosse o bastante, você vai ler o jornal e lida com o fato de que o filho do casal está se sentindo usado no meio dessa confusão. E todo mundo sabe, se sentir usado em um relacionamento é um mal sinal, vamos ter que tomar uma atitude.

É tanta coisa que está difícil acompanhar, mas no final das contas eu me pergunto, se já é tão difícil cuidar dos próprios relacionamentos, por que os problemas alheios dão tanto ibope? Será que é uma forma de se consolar, eu tenho problemas, mas a Joelma tem mais, então eu tô de boa? Ou será que é só por causa do barraco mesmo?

Enfim, não quero parecer insensível em relação aos problemas dos outros, afinal, nem sei o que é passar por uma separação muito menos ter que lidar com o fato do Brasil saber que eu fui traída ou que eu traí alguém. Mas acho que já deu né, gente? Vamos fazer um jornalismo um pouquinho mais sério? Até porque nenhum deles deve explicação para ninguém que não seja eles mesmos. 

Já é hora de mirarmos nossa mídia para os alvos certos.


Partilhar

2 comentários:

Analu Faria disse...

E agora temos duas bandas Calypso...

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Clara, acho que a única forma da mídia mirar para o alvo certo é nós darmos audiência para a mídia que já mira o lado certo.