quinta-feira, 2 de julho de 2015

TOCANDO O CAOS >> Analu Faria

Quando o Eduardo, administrador do “Crônica do Dia”, sugeriu que eu escrevesse esta primeira crônica como uma apresentação, fiquei meio apreensiva. Sou péssima em me apresentar. Fora dizer meu nome, profissão, de onde vim, há quanto tempo moro em Brasília e, talvez, minha idade (Analu, servidora pública, Minas, seis anos, trinta e cinco), não sei bem o que dizer sobre mim. E ao final dessa breve introdução, meu cérebro automaticamente reproduz Renato Russo “Acho que não sei quem sou, só sei do que não gosto.” 

Para complicar, logo depois de me comunicar com o Eduardo, assisti a um documentário sobre comunidades quilombolas, em que uma antropóloga dizia: "No século XX, trabalhamos sistematicamente nossa identidade.” Voltei e assisti de novo ao trecho. Será que ela não estava falando só da identidade coletiva do povo quilombola? Da consciência que tem de suas raízes comuns? Do trabalho que faz para se afirmar, para lutar por seus direitos, atualmente? Não. Ela falava de pessoas não específicas, anônimas, desconhecidas, quilombolas ou não. Gente, em geral. Fiquei mais apreensiva. Olhei para o que eu penso que sou — sem nem conseguir formular logicamente o que eu estava observando — e concluí que ou ela ou eu estamos muito erradas. Meu Deus, não tem nada de “construção sistemática” no que eu sou! Nem no que quero dizer quando escrevo!
E agora? 
Acho que nada muda. Escrevo — e sou — mesmo assim. E na parte do “ser”, o caos até que está bom para mim. Quanto ao que for escrito, deixo para você julgar. E ficamos combinados: se se dispuser a ler, você verá, a cada quinze dias, nas quintas-feiras, um tantinho de caos em forma de crônica por aqui. E eu prometo continuar assim. Prometo não escrever para colocar ordem no mundo, porque isso é clichê demais e você e eu estamos cansados de clichês. Penso até em colocar um pouco mais de desordem. Nietzsche já dizia que “é preciso ter um caos em si para poder dar à luz uma estrela dançante.”. Quem sabe, ao ler a estas palavras caóticas, não surja aí no meio da sua sala uma dessas estrelas?


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11 comentários:

albir silva disse...

Bem-vinda, Analu! E fique à vontade para colocar estrelas no caos nosso de cada sala.

Cássio disse...

Parabéns pelo texto. Que muitas estrelas venham... Te amo muito.

Analu Faria disse...

Obrigada, Albir!!!
Cássio, meu amor, obrigada!

Eduardo Loureiro Jr. disse...

E não é que apareceu mesmo uma estrela em forma de palavras no meio da minha tela, Analu?
Mandou bem na apresentação! :)

Zoraya disse...

Que ótimo, Analu, aceito estrelas dançantes com lábios cantantes! Bem-vinda, delícia de crônica!

graça grauna disse...

Querida Analu: parabéns pelo texto, pela coragem de contrariar o estático. já estou selecionando as suas crônicas para os meus encontros com literatura e direitos humanos na Universidade. Bjos. Graça Graúna

Analu Faria disse...

Que bom, Eduardo!!! Obrigada pelo apoio, pela atenção e pelas correções ;)

Analu Faria disse...

Zoraya, que bom que gostou!!! Obrigada!

Analu Faria disse...

Oi, Graça! Quanta honra!!! Obrigada ;)

André Luiz Ferrer Domenciano disse...

O caos é bom para começar. Tudo o que está prontinho é bastante apartado do caos e da personalidade. Estou mais ou menos de volta ao Crônica esta semana e tive uma ótima surpresa! Que bom! Melhor ainda é recomeçar o que, naturalmente, também pede... caos. Bem-vinda!

Analu Faria disse...

Obrigada, André!