terça-feira, 3 de março de 2015

FALANDO BRASÍLIA >> Clara Braga

Esses dias assisti a um programa no youtube que faz muito sentido para as pessoas que são de Brasília, principalmente as que foram crianças e/ou adolescentes em Brasília. O programa chama Embaixo do Bloco, e entrevista brasilienses nesse local que um dia já foi tão frequentado, os pilotis dos blocos residenciais.

Filmes que mostram Brasília como paisagem acabam falando, também, dessa prática dos brasilienses, é só assistir ao filme Somos tão Jovens, por exemplo, que você vai ouvir alguém reclamando do fato de não ter nada para fazer na cidade a não ser ficar embaixo do prédio tocando violão. Ou seja, Deus abençoe os prédios, muita banda boa surgiu desse “problema" de não se ter nada para fazer.

Hoje em dia, tenho escutado muito algumas pessoas dizerem: "há muito tempo não aparece uma banda boa em Brasília" (o que eu discordo completamente) e "há muito tempo que não se vê grupos de pessoas reunidas embaixo do bloco” (o que é a mais pura das verdades). As explicações são muitas, entre as mais famosas estão: os jovens de hoje são alienados, não brincam mais em grupos, brincam apenas em seus tablets e celulares; ou então: as ruas estão muito perigosas, não dá mais para ficar brincando por aí! Realmente, as ruas estão mais perigosas do que eram antigamente, e isso, entre outros tantos motivos, fez com que as pessoas parassem de reclamar do bloco e passassem a dizer: Brasília não tem nada para fazer, só ir ao cinema ou sair para comer. Bom, só aí já são duas opções! Sim, eu sei que não se compara com a agenda cultural de São Paulo e Rio de Janeiro, mas Brasília já tem tido até carnaval!

Em questão de programação e opções, brasília tem melhorado muito, o problema é que tudo que chega aqui é muito caro, difícil encontrar opções super acessíveis. Então, acabamos ficando em casa mesmo, já que o bloco é perigoso, os locais caros e a internet ainda contribui colocando a nossa disposição programas que permitem que a gente assista à filmes recentes de graça.  

Mas não podemos esquecer que a nossa cidade tem uma arquitetura privilegiada, que nos permite ocupar espaços amplos, com muito verde e, o melhor, de graça! Adorei a iniciativa do programa, faz a gente revisitar algo que faz parte da identidade cultural da nossa cidade e que deveria se tornar um hábito novamente. Quem sabe novas bandas não surgiriam? Acho que se a gente seguir os famosos conselhos que toda mãe dava - não volte tarde; ande sempre em grupo, nunca sozinha; não vá em grupos só de mulheres e etc -  vamos minimizar o perigo. E sim, minimizar é o suficiente, afinal, nunca sabemos o que vai acontecer com a gente, seja embaixo de um bloco, dentro de um restaurante ou na sessão de cinema.


Partilhar

Um comentário:

Ana Luiza Aguiar disse...

Excelente esse texto retratando a grande realidade de Brasília, que pode ser utilizada como exemplo de diversas cidades no mundo todo! Atualmente, as pessoas privilegiam somente meios eletrônicos para se divertir, esquecendo-se que sua cidade, por exemplo, pode guardar lugares simples, mas que se utilizados com devidos cuidados e com boas intenções se tornam super agradáveis. Entretanto, são mencionados no texto acontecimentos que privam as pessoas de saírem de suas casas para "curtir" uma noite em uma pracinha da cidade já que elas podem ser assaltadas ou sofrer qualquer outro ato ilegal.
A questão é que aos poucos, Brasília,por exemplo,está mudando e iniciando novas programações que fazem parte da sua identidade cultural.
No texto é bem evidente que novas atividades podem e vão ser feitas para que a diversão na cidade não acabe, além de nos transmitir a ideia de que se reduzirmos pequenas ações que podem gerar consequências negativas, o passeio na própria cidade pode se tornar a melhor opção.