quinta-feira, 3 de abril de 2014

MENOS SÓDIO, MAIS FELICIDADE>> Mariana Scherma

Eu não tenho problema com nenhum tipo de comida, tento comer pouca carne por dó dos animais (principalmente dos porcos, depois que vi um caminhão cheio de porquinhos espremidos indo para o abate), mas vez ou outro me pego agarrada a um bife, paciência. Em casa, minha mãe me ensinou a comer de tudo, quiabo, abobrinha, couve, arroz com feijão, arroz sem feijão... Por isso, toda vez que vejo alguém virar a cara pra qualquer alimento, fico surpresa.

Sobre testar comidas exóticas? Voto sempre a favor. Menos insetos, porque não sou o Indiana Jones, ora bolas. Não faço cara feia pra nada e sou extremamente feliz ao provar novos sabores ou mesmo um tempero diferente para o feijão de todo dia (beijo para o gengibre). Minha felicidade está diretamente ligada a sabores variados. Ver criança fazendo birra pra cenoura, tomate e cia. me deixa com a ideia fixa de colocar a minha mãe pra dar workshops às outras mães, explicando Como Comer de Tudo Sem Fazer Cara Feia. Minha mãe é fera nesse módulo. Quando criança, ela me levava ao supermercado, me soltava na seção de chocolates e dizia: “pega o que você quiser”. Sabe o que eu pegava? Nada. Sério. Eu pedia pera e quiabo. Às vezes beterraba. Tipo aquela criança do comercial que chora por brócolis.

Minha única desavença era com mangas. Achava doce demais, não gostava do cheiro, não passava nem perto. Até que em um jantar na casa de amigos, a salada de rúcula tinha fatias de manga e, apesar da minha destreza na pescaria Apenas das Folhas de Rúcula, um pedacinho de manga parou no meu prato e, como sou dessas que não deixa sobra alguma, comi por educação. De repente, minha boca foi invadida por um sabor incrível, docinho, gostoso, apaixonante... Depois desse dia, devo ter passado uma semana comendo manga no almoço, café da tarde e janta, meio que querendo recuperar o tempo perdido. No supermercado, entrava em um desespero louco de escolher as mangas mais apetitosas. Amo! E foi aí que prometi nunca mais dizer “não gosto”.

Ok que o paladar é único em cada pessoa, mas sinto um pouco de dó de gente que vive de salgadinhos, frituras, chocolate, congelados cheios de sódio, sucos prontos e essas coisas. Pessoas assim não sabem o que é a felicidade de morder uma pera docinha, o prazer de descobrir temperos diferentes pra deixar a berinjela especial ou a alegria proporcionada por folhas de manjericão no meio da salada de alface e tomate. Pra mim, é uma felicidade que foge do óbvio, está na delicadeza da mordida, na surpresa boa de um molho com maracujá e pimenta rosa no peixe ou de um teco de erva-doce no molho de tomate ao sugo. Prazer à mesa, simples assim.

Educar o paladar pra novos sabores é encontrar várias e várias formas de felicidade. Por essas e outras, eu só tenho a agradecer à minha mãe, que ama temperos e me fez amá-los também.


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3 comentários:

Carla Dias disse...

Pois é, Mariana, o tempero faz a diferença, na comida e na vida. Ok... Fiquei com fome. Beijo.

albir disse...

Carla tem razão: pra comer e viver é preciso ousadia.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Beijo na outra bochecha do gengibre. :)