sexta-feira, 18 de abril de 2014

6ª FEIRA DO AMOR >> Paulo Meireles Barguil

Por que é mesmo que se chama Santa uma 6ª feira em que são lembrados o julgamento, a humilhação, a crucificação, a morte e a sepultura de Jesus Cristo?

Nomear de 6ª feira da Paixão é uma alternativa, mas não expressa adequadamente o que nela ocorreu.

O mais sensato seria adotar uma nomenclatura que manifesta o ocorrido: 6ª feira do Amor.

Cá para nós: a linguagem, muitas vezes, é utilizada para negar a realidade, ao invés de favorecer o seu entendimento pela Humanidade.

De falseados em falseados, a pessoa, quando menos espera, descobre que está perdida, pois está longe demais da verdade.

Há quem acredite que Jesus era filho de Deus. Há quem defenda que ele era um homem, que alcançou a iluminação, tal como outros líderes espirituais: Buda, Maomé... Há, ainda, quem negue que ele viveu na Terra.

Sua mensagem foi resumida por ele mesmo em dois mandamentos: "Ame a Deus sobre todas as coisas." e "Ame o seu próximo como a si mesmo." (Mt 22:37-40).

Desde os primórdios, quando vivíamos na selva, nosso principal objetivo, tal como os outros animais, era nos mantermos vivos. Para alcançar esse intento, alguns dizem que a máxima que impera nesse ambiente é "cada um por si". Outros afirmam que a regra é "juntos somos mais fortes".

Apesar de sermos, agora, civilizados, vivenciamos, a todo momento, situações em que oscilamos entre uma e outra, dependendo das circunstâncias...

Cada vez mais tenho sido invadido pela dúvida: eu cuido primeiro de mim ou do outro? Eu sei que se "as máscaras de oxigênio caírem" eu devo colocar primeiro a minha e depois ajudar o outro. E nas demais situações?

É possível me amar sem amar o outro?

É possível amar o outro sem me amar?

Como conciliar esses amores – por si e pelo outro – de modo harmônico?

Como evitar a armadilha milenar entre Amor e sexo, na qual todos estamos sujeitos a cair ao longo da vida? Sim, eu já li: isso acontece porque projetamos no outro aquilo que só dentro de cada um pode ser encontrado. A paixão é o momento em que acreditamos que a busca é finda: a felicidade eterna teria sido encontrada.

Alguns meses depois, contudo, a verdade vem à tona: o outro já não nos satisfaz como outrora. O sonho se transformou num pesadelo! O que aconteceu? Quem e o que mudou? Muitos de nós acreditamos que a fonte externa secou e é necessário recomeçar a busca do lado de fora...

Afinal, o que é amar?

Seria dar a sua vida pelos outros, tal como fez Jesus?

Já li várias vezes o Sermão de Montanha. Entender com a mente não é tão difícil. Vivê-lo, com todo o meu ser, é um desafio diário.

No momento em que a diversidade se amplia e requer respeito ao diferente, agradeço-lhe, Jesus, porque você ensinou, durante toda a sua vida, a cada pessoa como ela pode interagir de forma amorosa consigo, com o outro e com a natureza.

No momento em que o egoísmo e o materialismo se aprofundam, manifestos num consumo fulgaz, obrigado, Jesus, porque você mostrou que a vida transcende a essa breve viagem na Terra.

No momento em que se propaga o discurso de que não há felicidade nessa vida, mas apenas raros momentos alegres, grato lhe sou, Jesus, porque nos mostrastes que podemos e temos direito de que todos os dias sejam felizes, amorosos e santos.

No momento em que atos e palavras golpeantes contra a vida daqueles que têm a missão de divulgar sua mensagem se revelam ao mundo, obrigado, Jesus, pelo seu Amor infinito, porque Ele não se abala e continua firme.

No momento em que o conhecimento é fonte de poder e dominação, afastando as pessoas, ao invés de aproximá-las, agradeço-lhe, Jesus, pela Luz que emana de Ti, a qual me lembra que eu também posso recebê-la e partilhá-la, sendo necessário que eu me dispa de todas as certezas que me distanciam da vida plena.

Que eu encontre, cada vez mais, o pequenino que em mim habita e cuide muito bem dele, acolhendo-o na sua dor de abandono, invasão e rejeição.

Que eu perdoe todos aqueles que não cuidaram de mim como eu gostaria e possa, assim, descobrir e usufruir da Verdade: sou filho de Deus.

Que eu continue a jogar na fogueira as máscaras e armaduras, cuidadosamente elaboradas para me proteger do mundo, escondendo, até mesmo de mim, sentimentos, atitudes e pensamentos, que tornam a caminhada insuportável e sem alegria.

Que eu realize com êxito essa passagem e ajude outros a fazer o mesmo. Que aconteça, enfim, a Páscoa!

Ainda bem que tem chocolate todo dia e não somente no próximo domingo, afinal vou precisar de muita energia. ;-)

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3 comentários:

Cristiana Moura disse...

Bela crônica-oração-meditação!
Que assim seja!

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Assim seja.
Por aqui, em vez do chocolate, a rapadura. :)

Zoraya disse...

Amar e perdoar são,conforme ensinou Jesus, as grandes forças do Universo, a demonstração que somos Um com Deus Pai. Muito obrigada pela linda reflexão. Amém às suas palavras