terça-feira, 1 de abril de 2014

NÃO ESTAVA PERDIDO, ESTAVA TÃO BEM GUARDADO QUE EU NÃO ACHEI...
>> Clara Braga

Esses dias têm sido corridos! Não "corridos", mas corrido! Passo o dia todo fora de casa, o que faz com que eu tenha que levar várias bolsas junto comigo. Uma com roupas para as diferentes ocasiões e climas, já que em Brasília amanhece friozinho, faz um calor de rachar à tarde e, à noite, você implora por um casaco. Outra bolsa com opção de sapato, afinal vai que aquele sapato não combina com a tal roupa. Ai levo outra com os materiais que vou usar nas aulas, que, como são muitas, às vezes precisa de mais de uma bolsa. Tem a bolsa dos lanches e refeições, afinal ficar muito tempo fora de casa e comer só na rua ninguém merece... E claro, para terminar, tem a bolsa do dia a dia, com a carteira, uma necessaire, caixinha de óculos, guarda-chuva e essas coisas básicas.

É muita coisa, mas confesso que teve um lado muito interessante nisso tudo. Comecei a usar bolsas que já não usava havia muito tempo. Na primeira, logo de cara, encontrei quatro reais em um bolsinho escondido. Sim, quatro reais não dão para muita coisa, no máximo um combo de salgado com refresco, mas quem liga? São quatro reais com os quais eu não contava, só o gostinho de ter encontrado assim de forma inesperada fez eles valerem muito mais.

No outro dia, precisava desesperadamente de um pen drive, mas sabia que tinha esquecido o meu em cima da estante. Decidi testar minha sorte e fui procurar na bolsa que estava com os materiais das aulas, uma dessas que eu não usava há um tempo. Acreditem ou não, lá estava um pen drive roxinho que eu nem lembrava que tinha. Nele ainda tinham alguns arquivos que muito me interessavam, mas que eu acreditava ter perdido. Além de salvar todos os trabalhos que eu estava precisando, ainda me fez relembrar coisas que eu acreditava que não veria mais.

Logo no dia seguinte, peguei uma mochila no fundo do armário e guardei alguns materiais. Como estava nessa maré de encontrar coisas "perdidas", decidi olhar todos os bolsos. No último que olhei, encontrei um cordão lindo que ganhei de uma amiga muito querida e que achava que tinha perdido. Na verdade, nem achei que perdi, eu sabia que tinha precisado tirar e tinha guardado muito bem em algum lugar do qual eu não me lembrava. Engraçado isso, guardei bem guardado para não perder e não consegui mais achar.

Enfim, esses pequenos momentos de encontrar coisas que andavam sumidas têm sido muito bons. Parece bobagem, mas é tão gostoso encontrar aquela coisa simples e que tem significado grande pra você depois de tanto tempo sem usar. Tô inclusive começando a pensar em começar a esconder algumas coisas propositalmente, só pra daqui a um tempo encontrar e poder ter um momento nostalgia, o que acham?


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2 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Clara, eu já ia lhe sugerir essa ideia. :) Comecei a leitura até cansado com o tanto de bolsa que você carrega, mas a leve crônica tirou o peso. :)

Jenifer Santos disse...

Me identifiquei muito com esta maravilhosa Crônica.
Em tempos tão tumultuados,encontrar coisas que nos fazem parar, nem que seja por poucos minutos, nos faz um bem enorme.