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PRA LÁ DE BOAS >> Carla Dias >>

Eu tive uma noite pra lá de boa, ontem. E nem pensem que não celebro e agradeço por isso. Aliás, agradecimentos fazem parte da minha existência. Não os renego, tampouco os invento. Tenho o maior apreço pelos agradecimentos do qual sou autora, já que por detrás deles há sempre uma história que vale a pena. Para mim, agradecimentos são sagrados.

Claro que isso não quer dizer que eu ande por aí dizendo somente “amém” a tudo. Pelo contrário... Sou geniosa em alguns aspectos, meu ser escorpiano se eriça quando me aviltam, desrespeitam. Mas se há algo que sei fazer é reconhecer momentos que me acontecem como presentes da vida.  Aí entra o agradecimento.

Pensando bem, já são duas noites pra lá de boas, em menos de uma semana. Além de ontem, a noite de sábado foi muito bacana. Agradecimentos registrados.

Kleber Albuquerque

No sábado, eu fui ao show do amigo, compositor e poeta, Kleber Albuquerque, e em nossa terra natal, Santo André. Além de ter assistido a um show lindo que só – o que dizer sobre um show chamado 10 Coisas Que Eu Podia Dizer No Lugar De Eu Te Amo quando se diz e se toca muito bem, obrigada? -, com um público feliz de estar ali, eu estava acompanhada dos amigos de longa data, Paulo Renato e Raquel, também companheiros de tentativas mil de ter uma banda (sim, estamos tentando novamente), e dos gente boa Eduardo e Eli.

Eu, Paulo Renato, Mônica, Pedro, Eli e Eduardo.

Raquel, Kleber e Eli
Não bastasse tanta gente legal, ainda encontramos dois amigos queridos por lá, o Pedro e a Mônica. Música e boa companhia, enfim, agradecimentos pipocando. Ah! E ainda encontramos a Rubia no supermercado quando fomos comprar coisinhas para o jantar! Pena que não deu pra ela jantar com a gente.

Com Will Calhoun no IBVF, onde ele deu aulas de bateria, em junho

E então, ontem foi uma boa noite. Também muito bem acompanhada, de amigos queridos e artistas talentosos, aportei lá no show do Living Colour. Will Calhoun, o baterista, conheci por conta do trabalho com o Batuka! Brasil. Ele tocou na última edição do festival, que aconteceu em junho no Memorial da América Latina, aqui em São Paulo. Antes disso, Vera Figueiredo, com quem trabalho há mais de vinte anos, idealizadora do festival, conheceu e encontrou o Will várias vezes em festivais e feiras de música internacionais nas quais foi tocar. Will Calhoun é uma pessoa bacanérrima, artista interessantíssimo e plural.

Rubia, eu e Vera - Osvaldinho, Julio e Rubia

E as companhias foram especiais: Vera Figueiredo, Osvaldinho da Cuíca, Julio Cesar e Rubia Elias (sim, a amiga do supermercado de sábado!). A Vera é baterista e compositora que aprendi a admirar. Antes de me tornar sua funcionária e amiga, fui sua aluna. Osvaldinho da Cuíca é o mestre do samba de São Paulo, que, obviamente, sabe fazer a cuíca cantar que é uma beleza. Julio Cesar é um percussionista super talentoso, com uma habilidade linda de tocar instrumentos do samba. A Rubia é uma amiga que ganhei ao começar a fazer aulas de bateria aqui na escola onde trabalho (é uma produtora de eventos e escola de bateria e percussão brasileira), em mil novecentos e sabe Deus quando, que se tornou irmã faz tempo.

Osvaldinho da Cuíca, Julio Cesar e Will Calhoun
No palco com o Living Colour

As presenças de Osvaldinho da Cuíca e Julio Cesar no show do Living Colour não foi somente para assistir ao show da banda americana. Will viu o Osvaldinho tocar no Batuka! Brasil, acompanhado pelo Julio, e ficou encantando com o nosso guru do samba, convidando-os para participar de uma das músicas do show. Sim, parte das minhas companhias subiu ao palco e tocou ao lado de Will Calhoun, Corey Glover, Vernon Reid e Doug Wimbish. E como não poderia deixar de ser, foi um momento lindo que só. Aliás, quem nunca escutou Osvaldinho da Cuíca fazendo a cuíca cantar, por favor, Youtube-se. Will Calhoun o chamou de “pai brasileiro” e não foi à toa. O baterista estava encantado com o talento desse instrumentista e compositor, uma enciclopédia ambulante quando se trata do samba.

Osvaldinho da Cuíca, Corey Glover e Julio Cesar
No palco com  o Living Colour

O show do Living Colour foi muito legal. O local era pequeno, o que é sempre interessante, porque é possível ver o artista no palco e escutá-lo muito bem. Fiquei muito feliz pela oportunidade de ser feliz com o show e com as pessoas.

Portanto, estou pra lá de agradecida pelas noites pra lá de especiais que tive, em menos de uma semana. E obrigada a todos que participaram delas, que as tornaram assim especiais


KLEBER ALBUQUERQUE - PERMITIDO


LIVING COLOUR - LOVE REARS ITS UGLY HEAD



OSVALDINHO DA CUÍCA


Salve a boa música! Salve os bons criadores e intérpretes da boa música!





Comentários

Oi, bacana o blog! MAs porque há um clipe do Kleber Albuquerque no meio da postagem do Living Colour? Só curiosidade. Gosto dos dois. :)
Carla Dias disse…
Olá Astronauta Solitário :)

Eles estão no mesmo POST porque assisti ao show deles na mesma semana. Primeiro o show do Kleber, depois o do Living Colour com o Osvaldinho da Cuíca e o Julio Cesar.

Abraços!

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