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ESCOLHA A FELICIDADE [Maria Rita Lemos]

Cada vez que ficamos infelizes, o fazemos por diversas razões, incluindo as que estão fora de nós e as intrínsecas, que estão bem enraizadas em nosso íntimo.

Dentre as causas que não dependem de nossa vontade, imaginemos que estamos presos dentro de uma caverna escura, infestada de morcegos, e sem encontrar a abertura de saída. Ou, então, que estejamos com fome e sem alimento disponível, ou, pelo contrário, sejamos obrigados a comer algo que nos desagrada. Em qualquer dessas situações, pessoas em estado saudável de consciência tentariam libertar-se o mais rapidamente possível daquilo que as está fazendo sofrer, encontrando uma saída.

O mecanismo para a felicidade versus sofrimento é muito semelhante. Segundo diversos autores, pessoas com bom equilíbrio emocional , em situações adversas, lutam para assumir o comando de suas vidas, sempre que isso seja possível. Só quem não está bem com suas emoções vai prolongar desnecessariamente o sofrimento, ou vai desistir de lutar, preferindo viver pela metade que pagar o preço, nem sempre barato, de ser feliz, fazendo essa opção de vida.

Aliás, na maioria das situações, temos essa escolha: ser felizes, ou, quando isso não for possível, por circunstâncias externas, no mínimo tentar “não ser infelizes”. Somos livres para escolher a felicidade na vida diária, uma vez que temos opções, a cada momento, para escolher comportamentos gratificantes ou autodestrutivos.

Um exemplo típico pode estar num artigo que li, um dia desses, se não me engano em matéria do excelente filósofo Rubem Alves. Ele reflete sobre uma pessoa que, saindo do supermercado cheia de compras, não conseguia entrar em seu carro, porque o veículo ao lado não tinha deixado espaço suficiente para que a porta do motorista fosse aberta. Havia, então, dois padrões mentais possíveis: ficar irritado, procurando nervosamente a pessoa que estacionou mal, causando o transtorno, seria escolher o mau humor e o estresse. Havia, porém, outra escolha: do lado do passageiro havia espaço suficiente, desde que, com boa vontade e um certo exercício de deslocamento do corpo, esse motorista escolhesse uma opção menos radical e mais simples: entrar pela porta possível e deslizar até o lugar do motorista, saindo, então, da situação, sem tanto desgaste emocional.

Claro que isso é apenas um exemplo, que não seria possível, por exemplo, para pessoas obesas, grávidas, ou com qualquer outra dificuldade de locomoção, mas para essas também, certamente, haveria soluções menos desgastantes. Se você é daquelas pessoas que se desgastam nos congestionamentos, xingando todo mundo, buzinando desnecessariamente, certamente poderá encontrar maneiras mais prazerosas e saudáveis de agir, colocando uma música agradável, cantando ou até treinando o controle de sua ira por mais alguns minutos! Isso não significa treinar para ter “sangue de barata”, como se diz popularmente, mas simplesmente substituir, gradualmente, padrões mentais negativos por outros que só vão nos trazer benefícios para a saúde mental e física.

Da mesma forma, em conferências chatíssimas, mas que somos obrigados a participar, podemos passar o tempo reclamando de tudo e todos, ou substituir o tédio escrevendo um diário, uma poesia, ou fazendo comentários que, talvez, ajudem o conferencista a reformular sua forma de expressão ou desenvolver o tema de forma mais agradável.

Em resumo, usar a nossa mente de forma positiva significa reavaliar as pessoas e situações que nos são desagradáveis e, em seguida, selecionar novos padrões mentais e comportamentais para que essas mesmas pessoas e situações, se forem inevitáveis, possam ser ressignificadas a nosso favor.

O principal é saber que somos muito valiosos(as) para nos desgastar com coisas negativas, mas que podem ser encaradas de formas mais positivas.

Podemos, sim, desenvolver hábitos de pensamento que nos defendam de sentimentos negativos, e treinar essa nova forma de viver: é sensacional!

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