quarta-feira, 3 de agosto de 2011

AS HISTÓRIAS DOS OUTROS >> Carla Dias >>

A última semana foi uma loucura para mim. Na verdade, há muitos anos a semana que antecede o festival de música que produzimos - no último final de semana aconteceu a 13ª edição – é uma verdadeira ginástica física, profissional e emocional. E sempre vale a pena.

Porém, a minha menção ao festival tem a ver com algo que vai além da música, e acaba se estendendo às mesas dos restaurantes, ao backstage, aos camarins.

Algumas pessoas com profissões que exigem viagens constantes são um baú de histórias interessantíssimas. Elas sempre têm algo a contar capaz de prender a atenção dos que estão a sua volta. Na maioria das vezes, a história é boa, mas o contador, nem tanto.

Quando a profissão dessas pessoas é artística, há sempre um quê de licença poética. Além dos fatos, eles incluem cenários e dão ênfase à interpretação.

Ok... Eu adoro contadores de histórias.

Com a chegada dos músicos estrangeiros para o festival, as histórias se tornaram intercontinentais. Esses músicos participam de eventos ao redor do mundo. Um deles me mostrou o passaporte... Quase sem folhas para serem carimbadas, e já não é o primeiro. Pessoas como estas, que interpretam tão bem a música, são extremamente capazes na arte de contar histórias, e de até mesmo criá-las, a partir de uma cena que observam.

Quando chegam a tal patamar, na arte de se contar histórias, essas pessoas se aproximam muito da forma como as crianças interpretam a vida. Elas pegam um tema e o desenvolvem, uma realidade e a desdobram. E tudo isso com uma riqueza que nos faz não tirar os olhos delas, enquanto desfiam o que assistem pelo mundo durante suas viagens.

Eu ouvi histórias incríveis nos últimos dias. Algumas delas tinham seu pesar, outras se mostraram reveladoras, havendo ainda as que nos fizeram rir sem parar. E também as sobre a superação, a dedicação ao que se descobre ser a nossa vocação.

Pena não poder lhes contar algumas dessas histórias, afinal de contas, elas não são minhas.

Há muito que se aprender com o backstage dos acontecimentos. E isso vale para a vida que levamos. Às vezes, é preciso parar, refletir se o que escolhemos para nós está nos fazendo bem, porque somente assim seremos bons profissionais, pessoas mais felizes.

Essas pessoas fantásticas que reencontrei e conheci são músicos de talento inquestionável, cada qual com a sua linguagem musical. E também são ótimos contadores de histórias. E eu me senti privilegiada por poder ouvir o que eles adoram contar, principalmente depois de vê-los fazer o melhor em um palco.

carladias.com



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2 comentários:

fernanda disse...

Que delícia, Carla! Também sou apaixonada por gente que conta histórias. Se a gente não pode ir até todos os cantos do mundo, eles trazem o mundo até nós, né? E tenho certeza de que o festival foi um sucesso. Sempre achei que 13 é número de sorte :)

Carla Dias disse...

Pois é, Fernanda... Os contadores de histórias têm sim o dom de nos trazer o mundo, de nos encher de imagens o imaginário. E o festival foi lindo : )
E 13 é um número de sorte... Acredito nisso.
Beijos!