Pular para o conteúdo principal

SEJAMOS FELIZES >> Clara Braga

Comprei o último livro da Martha Medeiros. Fiquei instigada com o título, Feliz por nada. Acho a felicidade um tema curioso, afinal é algo que todo mundo busca e que, infelizmente para alguns, parece estar cada vez mais difícil de encontrar. Quanto mais difícil achar a felicidade, mais fácil encontrar pessoas que dizem ter a receita certa para encontrá-la.

O que achei ótimo na crônica que dá título ao livro foi que ela passa bem longe dessas receitas doidas que estão inventando. Para ser feliz não precisa acender velas, dar pulinhos, rezar o pai-nosso quinze vezes, nem nada do tipo. No livro, ela diz apenas que, quando se está feliz, sempre se tem um porquê: ou ganhou algo, ou comprou algo novo, ou arrumou um novo amor. Mas quando a novidade passa, e normalmente ela passa rápido, a felicidade passa junto. Então a solução é ser feliz por nada.

Achei isso extremamente interessante e me lembrei logo de algo que me disseram uma vez e que guardei com muito carinho. Não lembro quem me disse, mas lembro exatamente como disse: “Enquanto dependermos de coisas puramente materiais para sermos felizes, ou colocarmos nossa felicidade nas mãos dos outros, nós seremos infelizes”.

Essa foi a receita mais simples, a mais sincera e a única que deu certo comigo até o momento. Os únicos responsáveis pela nossa felicidade somos nós mesmos. Se algo ou alguém não nos faz bem, cabe a nós nos livrarmos da situação ou da pessoa. Ou seja, dizer que alguém te faz infeliz é muito fácil, e nós temos mesmo essa mania horrível de sempre culparmos os outros pelas nossas fraquezas, assim nos livramos da responsabilidade de termos que achar uma solução para o problema. Mas acreditem, por mais que pareça difícil, quando tomamos as rédeas da situação, tudo se torna muito mais simples. Depende de nós dizermos sim para tudo aquilo que nos faz bem e não para tudo aquilo que nos faz mal.

Sejamos felizes!

Comentários

Clara, a felicidade nunca pareceu tão fácil quanto em suas palavras.

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …