quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

OS DESEJOS >> Carla Dias >>

A gargalhada das crianças brincando no quintal, o barulho das folhas se rendendo ao bailar do vento e o barulho das horas despendidas em sonhos que, realizados, vão gerar benefício não apenas aos seus sonhadores, mas também àqueles que dependiam de um sonho alheio para alcançar as próprias conquistas.

Que nasçam mais pessoas destinadas a serem autores de ideias malucas, pois a loucura – essa definição espevitada ao que sai do eixo do entendimento imediato – tem sido fonte de uma liberdade ímpar e soprado vida em realizações dignas de serem experimentadas.

Banho de chuva em tarde de sol, os pés sendo ponte das corredeiras, abraço de quem não se vê há tanto tempo que nem vale contar, girassol na janela, pôr-do-sol de cara para o mar. Agulha e linha para costurar incertezas, mel para adoçar amarguras, frestas aos que temem a escuridão.

Se peço amor, saiba que o peço a todos. Não o falseado amor, do que se debruça em privilégios, curva-se ao medo, não se importa se fere e sequer aprende com os obstáculos. Amor não falseia... Então, que ele venha em sua bruta forma e seja lapidado pela nossa sabedoria e capacidade de compreender que o amor requer cuidado constante.

Vírgulas em lugares aos quais não pertence, apenas para fazer tropeçar o destinado a ser padrão. Longas pausas em discursos comoventes. Que venha não apenas um ano de cara nova, carregando nossas ansiedades e desejos. Que também venham os menestréis para alegrarem o cotidiano, os poetas para enfeitarem os canteiros da nossa alma, os anjos para aprenderem o gosto do beijo de língua e se darem conta de que é o mesmo que sentem ao devorarem nuvens. As águias a nos ensinarem a emoção dos voos.

A todos eu desejo bons ventos... E rosa dos ventos para com ela poderem brincar de novas jornadas.


www.carladias.com

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3 comentários:

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, como são bonitos os desejos envolvidos por sua prosa poética!

albir disse...

Bons ventos te tragam, Carla, sempre!

Carla Dias disse...

Eduardo... Obrigada!

Albir... Bons ventos para nós, sempre!