sábado, 5 de dezembro de 2009

NASCEU SOFIA... [Debora Bottcher]

Então, no fim da noite de quinta-feira, quase naquela hora em que a madrugada começa a se preparar, nasceu Sofia.

Esse espaço acompanhou a trajetória dessa mocinha, com textos e mais textos — belíssimos, quase um livro! — dedicados a ela e a tudo o que ela trouxe desde o momento em que sua concepção foi percebida, descoberta, afirmada. Foi O milagre na vida de outra mocinha — um pouco mais velha, claro, dotada de algo que mora na alma das princesas das lendas infantis: aquele vislumbre e inocência, aquela felicidade terna e eterna que habita nas pequenas coisas que só seres iluminados podem captar.

Sofia, 'embrulhada' dentro de Ana, desejada e amada muito antes de ser Sofia, já vem ao mundo mimada, proprietária de amor incondicional, herdeira de sonhos e alegrias indescritíveis, a parte mais luminosa e gentil da humanidade, como sua mãe descreveu.

Ao longo da evolução em seu ninho de maior conforto, Sofia foi o laço de comunhão de Ana com o mundo: Ana foi afagada, acarinhada, alvo de afeto e amor que não sabia possível — confesso que eu também me surpreendi com suas narrativas sobre esse 'mundo perfeito' que ela afirma existir e sorrir para as grávidas.

E agora Sofia nasceu. Cruzou a barreira do escuro para aportar nesse universo que, para ela, desejo seja sempre azul, mais azul do que sua mãe conseguiu pintar até aqui. Tomara Sofia tenha uma bússula imaginária para nunca se perder — nem de si nem de seus princípios. E que seus caminhos se tracem sempre em condições favoráveis e com mínimos sacrifícios — eu desejaria sacrifício nenhum, mas isso seria utópico: ela nasceu Mulher!

Para Sofia, desejo que sempre possa ser dona do seu Destino, da sua História, e que consiga fazer escolhas sensatas; desejo que nunca seja governada pelo medo e que consiga manter, sempre, um espírito livre, jamais se deixando aprisionar por convenções.

Desejo que Sofia possa separar o bem do mal intuitivamente e que aprenda que algumas coisas não ostentam nenhum valor, mas podem enganar: que ela possa reconhecer a diferença entre pérolas verdadeiras e foscas bolas de vidro.

Desejo que Sofia possa fixar os espelhos, vendo seu próprio rosto olhando-a de volta, e descobrindo, a cada vez, uma face diferente e melhor de si mesma. Que não seja trágica: que consiga olhar para os outros como eles são, sem ilusões ou disfarces, e que desenvolva complacência e perdão para as falhas alheias, mas que saiba reconhecer a verdade e distingui-la da mentira instantaneamente.

Desejo que Sofia consiga realizar todos os seus desejos, mas que quando isso não acontecer, saiba recomeçar, quantas vezes for preciso, e nunca desista de seus sonhos: que extraia do mar sempre seus melhores tesouros e que siga seu coração, sendo sensível para compreender o significado do que realmente importa.

Desejo que Sofia chore pouco, mas sabemos que não será assim: inocências e perdas se confundem e o sofrimento será inevitável. Pessoas chegam e partem, abandonam, morrem. É como as coisas são. Desejo que Sofia consiga superar suas frustrações, enxugar as lágrimas sem prolongar a dor e ter certeza de que, no dia seguinte, o sol brilha novamente e a vida pode mudar num segundo.

Eu sei: esse texto pode parecer parte de um Conto de Fadas, uma Fada Madrinha com varinha de condão — combinaria com sua mãe e eu desejaria que fosse e que estivesse em minhas mãos prever os enigmas dos caminhos de Sofia e fazê-la saltar dissabores. Não tenho esse poder. Mas desejo que Sofia nunca perca a esperança e seja corajosa — o mundo vai exigir isso dela.

E então, num último anseio, abençoo Sofia com saúde, alegria e paz sem fim, desejando que o Vale da Sabedoria exista dentro dela e que todas as suas perguntas tenham resposta.

Para Ana, desejo que ela possa mostrar o melhor do mundo e das pessoas para essa nova e preciosa vida. Que não tenha medo de errar, porque não se nasce sabendo educar um filho. E que essa alegria que foi exaltada nesses nove meses se perpetue até o fim dos dias...

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5 comentários:

Anônimo disse...

eu desejo par Sofia tudo o que a vida lhe puder trazer... pois com cada criança que nasce, nasce também a esperança.
Parabéns

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Muito bonito, Debora! Ana e Sofia não poderiam encontrar melhor arauto para anunciar tão esperada notícia. :)

Ana disse...

e a mãe da sofia está aqui, aos prantos, lendo os desejos mais lindos que se pode desejar à alguém.
nao consigo comentar as suas palavras, querida amiga.
que a sofia, um dia, tenha uma amiga como eu tenho você...
beijos

Juliêta Barbosa disse...

Debora,

Nas suas palavras encontrei o atestado da sua alma... Como é bela! E que bom ter uma amiga assim, nesse mundo tão deserto de bons sentimentos. Obrigada, por me devolver a esperança...

Debora Bottcher disse...

Só pra deixar um beijo em todos que partilharam da alegria de Sofia vir ao mundo e se emocionaram em esperanças.
Bençãos e bençãos para todos... :)