domingo, 20 de dezembro de 2009

O HOMEM DE DOIS MIL E POUCOS ANOS
>> Eduardo Loureiro Jr.


Já imaginaram se Jesus ainda estivesse vivo, vivinho da silva, em carne e osso?

Teria pouco mais de dois mil anos — a idade certa ninguém sabe devido a controvérsias e a mudanças de calendário —, mas que aparência teria?

Se mantivesse a mesma aparência de quando morreu e ressuscitou, seria uma espécie de Highlander, aquele personagem imortal de ficção, próximo dos 40 anos, que atravessa as eras mudando de nome e sobrenome para que ninguém desconfie de que é, na verdade, o mesmo. Talvez fosse o próprio Highlander, ficção que nada, baseado em fatos reais, num homem real, Jesus.

Ou então já seria um velhinho, um velhão, dois mil anos de velhice, uma espécie de Papai Noel em que importam mais a barba e os cabelos brancos do que o rosto enrugado. Seria o homem mais velho do mundo e poderia solicitar inclusão no Livro dos Recordes com uma simples testagem de DNA. Talvez fosse o próprio Papai Noel, a forma que encontrou de continuar por perto, distribuindo presentes e passando seu povo em revista de doze em doze meses.

Poderia ser também uma eterna criança, especialmente nos natais. Iria de família em família, à maneira de um Highlander mirim ou, menos fantasiosamente, feito um menino de rua, um órfão que sai de um reformatório para outro, sempre desafiando as instituições.

Ou ainda, como Deus que é, poderia assumir a forma que achasse mais conveniente de ocasião para ocasião, feito um mutante cuja principal habilidade fosse a metamorfose.

De um jeito ou de outro, por ser capricorniano e não gostar muito de aniversários, deve ter preferido se manter anônimo, mesmo ao preço de atribuírem a Ele uma série de atitudes e identidades absurdas ao longo desses dois mil anos, tal qual este cronista está fazendo agora.

Porque se não estivesse aí, no meio da multidão, disfarçado, o Natal seria um alvoroço ainda maior do que é hoje. Jesus teria que fazer uma grande aparição midiática todo final de ano, feito Roberto Carlos. Aliás, será que Jesus é o Roberto Carlos, comprovando a tese de que Deus é brasileiro? Não, é ridículo pensar Jesus com uma pena no cabelo ou cantando música específicas para baixinhas, gordinhas e coisas do tipo. Jesus entraria, ao vivo, em todos os grandes telejornais, receberia homenagens de metade do planeta, sofreria atentados da outra metade, e, no dia 25, garis teriam que recolher a montanha de presentes à sua porta, presentes que Ele, por ser muito econômico e não se preocupar com o dia de amanhã, nem utilizaria.

É... melhor mesmo é você, Jesus, meu menino, meu velho, meu amigo, continuar comemorando seu aniversário discretamente. Parabéns pelos dois mil e poucos anos de vida. E muitas felicidades por toda a eternidade.




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4 comentários:

albir disse...

É, Edu, não faltam as reencarnações ou ressuscitações em versões cabeludas, carecas, crucificadas, louvadas e imitadas.

Anônimo disse...

adorei o final...muito doce!

bjo

klaudya

Carla Dias disse...

Já pensou uma festa surpresa pra Jesus?
Aqui também registro meus parabéns...

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Grato, gente. Feliz Natal pr'ocês!