Pular para o conteúdo principal

CARTA-POEMA PARA UMA AEROMOÇA >> Eduardo Loureiro Jr.

Toño B / Stockart.com


Moça bonita que gosta do ar,


Talvez dês a todos o mesmo sorriso que desperta a vontade de te beijar. Teus braços, saídas de emergência, são asas, e o teu abraço deve ser tão bom quanto voar. Teus olhos de sombra nuvens parecem: prontas para chorar. E o choro, moça bonita que gosta do ar, é feito chuva para quem sabe banhar.


Eu sou passageiro, estou: passagem na mão e no peito. Mas levo teu cheiro e teu jeito do Rio de Janeiro ao mar de dezembro. Minha Fortaleza não tem serventia contra as meninas: Teresa Cristina, ..., Teresina. Teu nome em tua boca, moça bonita que gosta do ar, deve ter mais encantos que o nome do teu crachá.


Meu nome é Ulisses, Ninguém, sou do ar. Basta beleza para os meus olhos cegar. As minhas palavras têm ranços de um tempo em que eu vivia a guerrear. Prefiro ficar de boca fechada a lançar novos medos em teu olhar. Eu que sou leve, moça bonita que gosta do ar, peso-me com pesar.


Para quem é o contínuo aviso de não fumar? É para ti, moça bonita que gosta do ar? Qual é o teu paradeiro? E o meu destino qual é? Eu, que um dia fui velho, chego ainda a ser menino? E você, que é menina, será que em seu mais lindo sonho vai acordar? A interrogação é uma cobra encantada que se ergue do cesto de pontuar.

Beijo guardado feito bagagem, que se deslocou durante a aterrissagem,

Comentários

Marisa Nascimento disse…
Nossa! Que carta mais deliciosa de se ler! Como é bom ver uma inspiração tão mágica como essa sua! Tomara que a musa tenha, um dia, a oportunidade de ler...
Parabéns!
Anônimo disse…
� cara, vc foi fundo. Mo�a p�ssaro, bra�os de asas,q qdo lhe abra�a convida a voar???!!! E vc entra na nave e aceita o convite??? Venceu todas as provas meu grande Rei...Penelope menina de sorte....
Estrela disse…
Olá Eduardo,

Esta crónica não é só para ser lida...mas também cantada!
Tem ritmo, música e poesia, com tudo isto misturado, saiu uma obra completa...e linda. Adorei!
Estrela
Anônimo disse…
Quisera eu, moça solitária, ser a dona dessa carta. Beijos.
KATYUSKA disse…
FUI COMISSÁRIA... ME APOSENTEI NA MINHA AMADA TRANSBRASIL. UM DIA, TIVE UMA POESIA... DOCES PALAVRAS COMO ESSAS PROFERIDAS DE SEU CORAÇÃO...

QUISERA EU SABER DA SUA TEREZA CRISTINA.
Marisa, tomara que a musa tenha, um dia, a oportunidade de entender. :)

Anônimo, no céu todo ir é fundo. :) Vamos ver na hora de voltar para a terra de Penélope. :)

Estrela, qualquer dia desses você me canta essa melodia que ouviu?

Anônima, nós sempre somos donos do que nos julgamos merecedores de possuir. :)

Katyusca, você sabe de si, da sua própria alegria ao receber um poema, e isso é bem melhor que saber de Tereza Cristina, ..., Teresina.

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …