Pular para o conteúdo principal

ALEJANDRA, CONFEITARIA, TEQUILA>>Analu

Eu não sabia da existência de Alejandra Pizarnik  até esta semana, quando li o texto de uma das cartas que ela enviou a seu psicanalista. Descobri que ela era poeta e tradutora, argentina (ninguém é perfeito) e que morou em Paris, num quartinho na casa de uma família para a qual fazia uns trabalhos de babá. Alejandra Pizarnik cuidava de uma criança enquanto pensava coisas como :

"Minha única súplica constante é que a fé não me abandone em alguns valores espirituais (poesia, pintura). Quando ela me deixa temporariamente vem a loucura, o mundo se esvazia e soa como um casal de robôs copulando".

Se for pensar bem, tem um monte de gente por aí que é comum e grande ao mesmo tempo. Olha isto: uma mulher que fala do quartinho onde mora e de loucura, fé, robôs copulando. Bendita Internet que me mostra Alejandras.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Fui fazer um bolo de coco, porque a faxineira me desafiou a fazer um e eu, que não gosto de desafios, resolvi aceitar aquele, considerando que na mesma semana minha regra de "não-competição" já tinha ido para as cucuias quando cedi a pressões para virar um shot de "tequila golden" (vejam bem, este foi um desafio com perspectivas de enjoo e vexame bem maiores que aceitar uma provocação do estilo  "você faz bolo? é sério?"). 

O bolo ficou ótimo, modéstia à parte. Cremoso, que nem aqueles que serviam em festa de criança, quando eu era uma. Bendita Internet que me mostra receitas de bolo de coco. Agora sou alguém que se arrisca na cozinha e faz um lanchinho relativamente respeitável. Enquanto batia a massa, eu pensava: de Alejandra Pizarnik a confeitaria, passando por um negócio demoníaco chamado tequila golden, ainda tem tanta coisa pra eu conhecer...


Comentários

sergio geia disse…
Boa, Analu. Também não conheço a Alejandra; aliás, não conheço tantos e tantas coisas. Mas bacana isso: as pessoas são sempre comuns antes de deixarem um povaréu tonto com suas criações. E bacana também a sua crônica. Cuidado com esse negócio de tequila, hein? Sou mais uma cachacinha rsrs. Bjs
Zoraya Cesar disse…
Boa crônica, Analu! Pequena e cheia de promessas de descobertas! E vamos à tequila! arriba arriba! (mas, confesso, eu gosto dos argentinos)
Analu Faria disse…
Hahahaha. Obrigada, Sérgio e Zoraya.

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …