quinta-feira, 29 de junho de 2017

ALEJANDRA, CONFEITARIA, TEQUILA>>Analu

Eu não sabia da existência de Alejandra Pizarnik  até esta semana, quando li o texto de uma das cartas que ela enviou a seu psicanalista. Descobri que ela era poeta e tradutora, argentina (ninguém é perfeito) e que morou em Paris, num quartinho na casa de uma família para a qual fazia uns trabalhos de babá. Alejandra Pizarnik cuidava de uma criança enquanto pensava coisas como :

"Minha única súplica constante é que a fé não me abandone em alguns valores espirituais (poesia, pintura). Quando ela me deixa temporariamente vem a loucura, o mundo se esvazia e soa como um casal de robôs copulando".

Se for pensar bem, tem um monte de gente por aí que é comum e grande ao mesmo tempo. Olha isto: uma mulher que fala do quartinho onde mora e de loucura, fé, robôs copulando. Bendita Internet que me mostra Alejandras.
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Fui fazer um bolo de coco, porque a faxineira me desafiou a fazer um e eu, que não gosto de desafios, resolvi aceitar aquele, considerando que na mesma semana minha regra de "não-competição" já tinha ido para as cucuias quando cedi a pressões para virar um shot de "tequila golden" (vejam bem, este foi um desafio com perspectivas de enjoo e vexame bem maiores que aceitar uma provocação do estilo  "você faz bolo? é sério?"). 

O bolo ficou ótimo, modéstia à parte. Cremoso, que nem aqueles que serviam em festa de criança, quando eu era uma. Bendita Internet que me mostra receitas de bolo de coco. Agora sou alguém que se arrisca na cozinha e faz um lanchinho relativamente respeitável. Enquanto batia a massa, eu pensava: de Alejandra Pizarnik a confeitaria, passando por um negócio demoníaco chamado tequila golden, ainda tem tanta coisa pra eu conhecer...




Partilhar

3 comentários:

sergio geia disse...

Boa, Analu. Também não conheço a Alejandra; aliás, não conheço tantos e tantas coisas. Mas bacana isso: as pessoas são sempre comuns antes de deixarem um povaréu tonto com suas criações. E bacana também a sua crônica. Cuidado com esse negócio de tequila, hein? Sou mais uma cachacinha rsrs. Bjs

Zoraya Cesar disse...

Boa crônica, Analu! Pequena e cheia de promessas de descobertas! E vamos à tequila! arriba arriba! (mas, confesso, eu gosto dos argentinos)

Analu Faria disse...

Hahahaha. Obrigada, Sérgio e Zoraya.