terça-feira, 23 de maio de 2017

COMO PODE UMA HISTÓRIA NUNCA MORRER? >> Clara Braga

Outro dia estava ouvindo a nova música da Celine Dion para o live action do filme A Bela e a Fera e reparei que, na letra, ela faz a seguinte pergunta: como pode uma história nunca morrer?

Essa questão me lembrou de algo que ouvi de uma amiga recentemente. Aparentemente foi um conselho que ela ouviu de um amigo e me pareceu um desses conselhos que mesmo não sendo pra você, você escuta e guarda: um dia, tudo que nós estamos vivendo hoje vai virar história, cabe a nós decidirmos como queremos que essas histórias sejam contadas.

Isso não poderia ser mais verdade. No futuro, hoje será história, o que gostaríamos que falassem de nós? Nossa história será contada como algo positivo ou como um exemplo a nunca ser seguido? Nos orgulhamos de quem somos? Ou melhor, estamos felizes? Afinal, nada pior do que ser lembrado como alguém que conquistou um monte de coisas mas nunca conseguiu o básico, que é ser feliz.

Então aí está, a receita para a história nunca morrer é ter uma mensagem interessante para ser passada, se for significativa de alguma forma, então ela emocionará e será imortal.

Bom, isso me fez pensar que talvez a gente esteja sendo um pouco injusto com os clássicos da Disney ultimamente. Se gostamos tanto de reviver esses filmes que fizeram parte da nossa infância, se eles estão sendo refilmados e novamente lotando salas de cinema, eles devem ter uma mensagem significativa para passar.

Não, eu não estou dizendo que devemos ensinar às crianças que elas devem esperar o príncipe do cavalo branco. Concordo que as novas mulheres poderosas da Disney têm uma mensagem extremamente importante para as crianças de hoje, mas também não tinha a Bela? Ela gostava de ler, sabia que existia um mundo muito maior para ser explorado do que aquele no qual ela vivia, salvou seu pai sozinha, enfrentou toda sua vila para salvar a Fera e se apaixonou sem se preocupar com aparências.

E se pensarmos na Pocachontas? Uma índia que não se casou com quem seu pai queria, curiosa, exploradora, independente a ponto de incomodar os homens da aldeia e que, no final, não abandonou sua família por causa de seu amor.

Jasmine também escolheu seu amor deixando de lado o status que seu pai desejava, a Ariel não se contentava com o fundo do mar e questionava seu pai, enfim, acho que cada uma foi uma mulher poderosa dentro de seu contexto.

Claro, têm coisas um pouco antiquadas nas histórias? Tem, assim como talvez no futuro a gente ache coisas antiquadas nas histórias de hoje! Mas no final, quando tudo virou apenas história, o que ficou para ser contado?


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