terça-feira, 16 de maio de 2017

SOBRE O TEMPO >> Clara Braga

Não, não gosto de mudanças. Quer dizer, também não é nada assim tão drástico, uma mudança aqui outra ali ou então mudanças que acontecem comigo e com um grupo de pessoas próximas ao mesmo tempo, pra eu ter em quem me apoiar, eu até gosto. Não é um gostar porque faz eu me sentir bem, é um gostar por saber que sair da zona de conforto de vez em quando é importante, mas se fosse bom mesmo as pessoas não chamavam de sair da zona de conforto.

Parece confuso, mas no fundo não é tão confuso assim, eu entendo a importância da mudança, mas tenho dificuldade de lidar com ela, pronto, é basicamente isso. Minha questão principal com mudança sempre foi a questão do tempo. Sempre tive medo de lidar com mudanças que tomassem tanto do meu tempo que eu fosse impedida de fazer as coisas que eu gosto, que me sinto bem fazendo. Eis que esse dia chegou.

Consegui um emprego muito melhor que o anterior em todos os sentidos, melhor plano de carreira, melhor salário, melhores oportunidades para desenvolver pós-graduações, mestrados e etc, enfim, só pontos positivos, porém, ao invés de trabalhar meio período como antes teria que trabalhar o período inteiro. Isso significa menos tempo para música, fotografia, amigos, família, exercício físico, crônicas e tudo mais.

Confesso que sofri no início, cheguei a ficar com a sensação de que estava de uma certa forma “perdendo o meu tempo”. Foi então que percebi que as vezes é exatamente esse sentimento que falta para que a gente faça as coisas acontecerem. Antes, quando trabalhava menos, sabia que tinha bastante tempo livre, logo não me sentia mal por deixar as coisas para depois, afinal, se não fizesse agora podia sempre fazer no dia seguinte. 

Agora é diferente, quando sobra tempo é apenas aquele tempo que eu tenho, então não tem outra opção, eu corro e faço o que tenho pra fazer. Já recomecei curso online que paguei tem tempo e não fazia, faço esboço de crônica tentando não deixar para última hora, preparo aulas em uma velocidade que nunca consegui antes, montei uma banda, enfim, parece que consegui dobrar meu tempo, mesmo tendo muito menos tempo que antes.

Parece que aquela conversa de que quem quer arruma um jeito de fazer não é tão conversa assim. É bem verdade que eu vivo um tanto cansada, mas no final isso é só um detalhe, o importante é nunca deixar a necessidade de fazer algo ser maior do que a vontade de fazer o que te faz bem.



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Um comentário:

Ana Braga disse...

Acho que a vida de adulto é assim mesmo e o pontos positivos são que eles são positivos e é só aproveitar cada momento como eles são...