quinta-feira, 18 de maio de 2017

MÚSICA SERTANEJA>>Analu Faria

Só lamento que você não tenha um cobertor de orelha, um alguém para te esquentar. Nas noites frias, eu tenho. Por você, eu só lamento. 
Que pena você não ter um chamego, meu bem, que pena...neste friozinho! Que bom seria, não? Eu tenho. E quem está com você? 
Você precisa de alguém para chamar de seu, todo mundo precisa. Eu já tenho o meu. Que pena, meu bem, para você, que dó que eu tenho. 
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Acho que é isso. Não consigo ir mais longe. Eu queria sim, ah como eu queria, ser compositora de música sertaneja, encarnar de vez o poeta fingidor, escrever umas letras com uns preconceitos enraizados, uns clichês que só funcionam tão bem porque são clichês. 

Como eu queria não problematizar! Não destrinchar discursos, (ó, Deus, eu acabo de começar a estudar "análise do discurso" e pior... em uma pós-graduação! O que estou fazendo da minha vida?), não desvendar ideologias, ah, como eu queria não ter lido o Manifesto Comunista! Como eu queria não saber o que é materialismo dialético, como eu queria não saber o que é gaslighting!

Seria tão bom se eu não fosse eu ou se os outros não fossem os outros ou se o lugar fosse diferente onde eu sou eu e os outros, eles mesmos! Como eu queria ser alguém que paga (feliz) um precinho astronômico para ir ao show do Wesley Safadão! "Ignorance is a bliss", eles dizem. Eu acho que sim, gente, sim!  Ó, Deus, que sofrência a minha!..

Para fechar esta crônica que nem sei se me satisfaz, vou ali comprar um Murakami de 50 reais. 




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