quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

MEDICINA>> Analu Faria

Sempre acontece com uma amiga de uma amiga: gripe, virose, infecção, tosse. Um mês de molho, um mês de arrebentar os pulmões, um mês de médicos-videntes (sim, colegas, a Medicina, no fundo, sabe muito menos do que imagina nossa vã filosofia). O mais divertido: um mês, talvez mais, de medicina de boteco. A amiga da minha amiga (vamos chamá-la de A.L.) não vai a botecos quando está doente, é claro, mas como o termo "psicólogo de boteco" é epifanicamente inteligível e conhecido, A.L. entendeu que seus leitores saberiam o que ela queria dizer com "médico de boteco". 

A.L. entende que todo médico de boteco é um ser humano de coração enorme, com as melhores intenções deste mundo. Médicos de boteco adoram receitar chás e gengibre, e gengibre é vida, gente. Então A.L. gostaria, por meio destas linhas, agradecer a todos que receitaram gengibre. Chá é só falta de café mesmo, mas a amiga da minha amiga agradece ainda assim. É uma atitude bonita você receitar coisas para os outros que nem você tomaria. 

A. L. está, no momento, parte grogue de remédio, parte aceitando o mistério da vida - cuja face mais sarcástica é adoecer o que ainda não morreu -, parte pensando que quem deveria mesmo saber o que ela tem é ela mesma. Já que os médicos parecem ainda tatear no escuro, mesmo depois da inteligência humana ter criado exames quase sobrenaturais como a videonasofibroscopia (Satanás, é você?), resta a A.L. conhecer-se mais profundamente (de preferência, sem o auxílio de uma videonasofibroscopia). E, talvez, nutrir-se do carinho dos médicos de boteco.




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