quinta-feira, 27 de outubro de 2016

PAU QUE NASCE TORTO OBEDECE QUEM TEM JUÍZO >> Mariana Scherma

Esses dias, virei pra minha mãe e falei “enganei o bobo na casca do ovo”. Na hora parei e pensei “oi?”. De onde eu tirei essa frase de mil novecentos e sei lá quanto?! Como se engana um bobo na casca do ovo? Tira todo o conteúdo do ovo por um furinho e entrega o ovo vazio para a pessoa? Ou só entrega um ovo podre. Nesse caso, a gente entra na questão “por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento”. Existem violas com pão embolorado dentro? Por que justo viola para embalagem? Eu me divirto com esses ditados populares, mas, como jornalista, morro de medo deles por deixarem o texto pobre quando utilizados só pra encher as linhas necessárias. Ah, só pra constar: o Google me avisou que o ditado do ovo tem a ver com a princesa Isabel dizendo ser impossível manter um ovo em pé. E aí toda a corte foi tentar deixar o ovo em pé, até que um sujeito cozinhou ovo antes e conseguiu.

E quando você guarda um segredo às sete chaves? Eu tenho três ou quatro chaves e já me enrolo inteira com elas. Se tivesse sete chaves pra chegar em casa, bem provável que eu dormiria na rua, na calçada ou na portaria do prédio, com muita sorte. Esse ditado também tem a ver com os tesouros da família real portuguesa muito bem guardado, com várias chaves.

Dos ditados populares, alguns me fazer rir e, confesso, solto eles no dia a dia (menos nos meus textos pra não empobrecer, só se for pra fazer uma gracinha). “Onde a vaca vai, o boi vai atrás”, mamis dizia isso pra mim quando era criança e não saia do pé dela. Depois quando virei adolescente e, idem, não saia do pé dele. Adulta, quando estamos juntas, mesma coisa. Onde a vaca vai, a boizinha vai atrás. Adaptamos pra gente. Mamãe também é a rainha da frase pronta: “aquela fulana não caga e não desocupa a moita”. Amo esse com todas as minhas forças porque sempre imagino a fulana fazendo seu número dois na moita. Prisão de ventre é difícil.


Sobre dar segundas chances, Cumpadre Washington já sentenciou: “pau que nasce torto nunca se endireita”. Será? Não é ser muito fechado para as mudanças isso? Ou estaria ele apenas se referindo a um graveto. Até porque não tem como desentortar um. Bom sei lá, só acho mesmo que rir é o melhor remédio e não necessariamente quem ri por último ri melhor, porque rir sempre é bom. Por hoje é só, vou ficar aqui pensando na morte da bezerra (tadinha) e tentando desvendar que cor é cor de burro quando foge.


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