quinta-feira, 6 de outubro de 2016

ME ENGANA, QUE EU GOSTO >> Analu Faria

Segundo o Cal Lightman, do seriado 'Lie to me" (em português acho que ficou"Engana-me se puder"), polígrafos não funcionam. Ainda assim, ouvi falar que uma empresa aérea que atuava no Brasil usava a máquina para detectar mentiras de seus candidatos a funcionários.

A razão pela qual Dr. Lightman - um personagem fictício delicioso (debochado, desafiador, sarcástico) - desabona o polígrafo é simples e largamente conhecida, não só na ficção: o equipamento detecta se a pessoa analisada está tensa ou nervosa, mas não por quê. Não é fascinante, isso? Damos às máquinas o poder de saber uma coisa e achamos isso o máximo, mas não as ensinamos a analisar a origem daquilo que ela "sabe". (Bem, isso está mudando um tanto, com coisas como o deep learning, mas, para fins desta humilde crônica, vamos deixar essas coisas high tech de lado). Aí usamos o julgamento de uma máquina, sem qualquer contextualização, como base para algo tão importante quanto a aprovação em um processo seletivo de emprego.

Que sorte a nossa não sermos máquinas! Que bom saber que julgamos sabendo o contexto, pesando as circunstâncias, analisando a origem dos fatos! Que bom não sermos algoritmos! Que bom não cruzarmos um dado aqui e outro ali e acharmos que sabemos tudo sobre algo... ou alguém!

Que beleza as máquinas não entenderem sarcasmo!



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Um comentário:

Zoraya disse...

hahaha, Analu, nossa sorte é que algumas pessoas também não! Beijos (nada sarcásticos!)