sábado, 4 de abril de 2015

OS NOSSOS SANTOS >> Sergio Geia

Digo isso com a mais fina das convicções: se existe uma coisa de que brasileiro pode se orgulhar, essa coisa se chama futebol.

Tudo bem, eu também não esqueci aquela fatídica terça-feira, o hino nacional cantado a plenos pulmões, a rapaziada toda vestindo amarelo canarinho, pronta para empurrar nossa seleção pra cima dos branquelos que até outro dia mal sabiam jogar futebol, dominavam a bola com as canelas e só faziam gol de chuveirinho; a bola pipocando na nossa área, ziguezagueando na frente da nossa defesa, balançando a nossa rede, nosso time assistindo a tudo indiferente, só assistindo, uma beleza.

Está certo, meu amigo, não vamos ficar remoendo essa tragédia. Acho que não foi uma boa ideia começar falando de futebol. Mesmo porque eu não queria falar de futebol. Na verdade, eu só queria introduzir o assunto, entende? A gente faz assim: introduz o assunto com alguns derivativos, fica margeando, andando pelas beiradas, depois vai ao âmago. Eu só queria falar de algo que é orgulho para a Nação, afinal, somos pentacampeões do mundo ou não somos?

Esquece, vai. Vamos falar de vôlei. Lembro-me muito bem daquela partida memorável contra os Estados Unidos nas Olimpíadas de Los Angeles, em 1984. O Brasil massacrou os americanos na casa deles com um sonoro três a zero. Ficou claro que o Brasil tinha um time de respeito e foi ali que tudo começou. De lá pra cá são cinco medalhes olímpicas, duas de ouro, em Barcelona e Atenas; três de prata, em Los Angeles, Pequim e Londres. Cinco campeonatos mundiais, sendo três medalhas de ouro conquistadas na Argentina, Japão e Itália; e duas de prata conquistadas na Argentina e Polônia. Na Copa do Mundo o Brasil possui cinco medalhas, duas de ouro e três de bronze. Nos Jogos Pan Americanos nem se fala, são quatro de ouro, seis de prata e quatro de bronze. O feminino não fica atrás: nossa seleção é bicampeã olímpica. Ou seja, o vôlei é motivo de orgulho para nós brasileiros e não há como contestar, certo?

Além do vôlei, do futebol, temos o Guga, o Medina, o Sebastião Salgado, O Gil, a Gi, a Paola Oliveira, e tanta gente porreta em tantos segmentos que dá até pra escrever um livro só com o nome desses brasileiros cabras da peste. Só me incomoda a falta de brasileiros notáveis num segmento: se você chegar ao céu, amigo, vai sentir um estrangeiro num país inóspito; vai encontrar santidade de tudo quanto é lugar, menos do Brasil, o que é uma lástima. São mais de 10 mil santos e beatos católicos, e apenas um vestindo verdadeiramente a amarelinha.

Dizem por aí que temos três santos brasileiros: Madre Paulina, José de Anchieta e Frei Galvão. Tá, só que Amabile Lucia Visintainer, a Santa Paulina, nasceu na Itália ou na Áustria, depende do ponto de vista; José de Anchieta nasceu na Espanha e Frei Galvão nasceu em Guaratinguetá (ufa!). Mas o incrível é que até no segmento santidade nós conseguimos pecar, dando um jeitinho brasileiro de se apoderar dos santos dos outros.

No Brasil já ocorreram muitos milagres que produziram a canonização de muitos santos estrangeiros, vide Santa Madre Carmem Sallés ou Beata Jeanne Emilie de Villeneuve. Na nossa terrinha nascem milagres, mas santo que é bom mesmo, dessa terra não brota, ah, não brota! Algum palpite?

P.S.: Dia desses, na padaria, a mocinha serviu meu café acompanhado de um pote bojudo de açúcar. Santa Crônica “ACÚCAR!!!”.


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2 comentários:

Darci Antonio Siqueira disse...

Como sempre digo amigo não basta ter o dom de fazer crônicas! Tem que ter muita coragem, muito boa a comparação e o Santo PELÉ que o diga, esse fez milagre como ninguém, Garrincha merecia uma Catedral, Bernard do vôlei uma estrela com o seu nome, Oscar do basquete nem se fala, kkkk, parabéns mais uma vez, para ser chamado o pais do futebol tem que ter craque brasileiro! Para ser chamado o pais mais católico do mundo tem que ter SANTO da casa. Grande abraço.

Zoraya disse...

Ei! Não seja tão exigente! Afinal, os referidos Santos podem ter nascido no exterior, mas se santificaram e fizeram milagres aqui. E bem estamos precisados de milagres mesmo. Divertido e escrito como o cabra da peste que vc é, rsrs.