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CADA ESCOLHA É UMA... >> Clara Braga

Quer me deixar desnorteada é só dizer: é livre! ou então: escolhe um! Eu consigo escolher uns três, quatro, mas um só é tortura. Aquelas lembrancinhas de viagem que família trás igual para todo mundo, só fala para cada um escolher a cor que quer, aquilo é um tormento! Como eu vou escolher o vermelho se o azul também está lindo? E se você escolher o roxo, no segundo seguinte vai descobrir que a cor do ano é o laranja, deu na TV que quem usar sempre algo laranja esse ano vai ter sorte no amor, no dinheiro, no jogo, em tudo que tiver direito!

Qual sua música favorita? Qual sua blusa predileta? Qual restaurante você mais gosta? Qual sua comida predileta? Qual sua cor favorita? Que estilo de música você mais gosta? Para uma pessoa que fez duas tatuagens de uma vez só porque não conseguia escolher só um desenho para fazer, a resposta para todas essas perguntas é uma só: não sei, depende!

Sei que para algumas situações não conseguir escolher algo é comum, por exemplo, atire a primeira pedra quem nunca experimentou mais de uma roupa enquanto se vestia para uma ocasião especial ou pediu opinião na hora de comprar um presente para alguém querido e ainda saiu na dúvida se tinha de fato feito a melhor escolha! Mas reconheço que meu caso é exagerado, talvez fosse até o caso de procurar uma ajuda, não sei, talvez uma terapia, dizem que mal não faz. Para entenderem o nível, de todas as frases que ouvi na faculdade, a que mais me marcou, sem a menor sombra de dúvidas, foi quando uma professora, em um desses meus surtos de indecisão, me disse: é Clara, cada escolha uma renúncia, não é mesmo?

Já fiquei tão paranóica com o fato de não conseguir escolher algumas coisas que teve uma fase que encarei isso como um grande problema, então comecei um auto tratamento e me passei um exercício: decidir um favorito de tudo que fosse possível, como se estivesse naquela entrevista no De Frente com Gabi, cantora favorita: Joss Stone; escritora favorita: Adriana Falcão; livro favorito: Luna Clara e Apolo Onze (tem muitos anos que li, mas ainda não decidi de quanto em quanto tempo posso mudar o livro favorito para não parecer indecisa); filme favorito: Psicose; comida predileta: strogonofe (mas a nutricionista mandou mudar, talvez para alface); CD favorito: estou entre LP1 e Mind Body and Soul da Joss Stone; o que mais gosto de fazer no tempo livre: ainda não sei, essa é difícil, mas estou tendendo a escolher assistir filme; que curso teria feito se não tivesse me formado em artes plásticas: estou entre música, dança, cinema e museologia, já consegui eliminar os que não eram muito dentro dessa área…

Como puderam ver, o exercício ainda está caminhando. É difícil escolher, mas pelo menos eu já sei que o difícil em escolher é saber que quando você escolhe uma coisa, outra está sendo deixada de lado. Mas já não tenho encarado a dificuldade da escolha como um problema tão grande, outro dia ouvi um grande baterista falar quando foi perguntado sobre quem era seu baterista brasileiro predileto: eu não tenho um predileto de nada, acho que isso é se fechar demais e eu gosto de estar sempre aberto à novas escolhas/oportunidades! Depois ele disse: como vou escolher um se não conheço todos?

Essas duas frases me marcaram muito! Não acho que seja um problema ter um favorito, mas não significa que o cargo não possa mudar, temos que estar sempre abertos a conhecer novidades. Ou então ter vários favoritos, qual o problema? Cada um para a sua devida hora e momento!

Calma, não pretendo usar essas frases como desculpa para a minha dificuldade e ficar rodando que nem doida em um estacionamento vazio sem conseguir escolher uma vaga para não me fechar para as oportunidades! Por via das dúvidas, vou continuar com meu exercício, que eu nem sei se de fato funciona para alguma coisa, mas sempre tendo em mente que o que não podemos nunca é nos fecharmos para as novidades, as renuncias vão fazer parte, mas elas também podem ser só momentâneas.

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