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SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO FILMADO EM FULL HD >> Clara Braga

Muita gente talentosa vive no anonimato enquanto outros, não tão talentosos assim, são pessoas extremamente idolatradas e famosas. Vocês diriam: é Clara, a vida não é justa. E de fato não é, hoje em dia não necessariamente é reconhecido quem é bom, mas sim quem vai vender mais. Mas não é exatamente sobre isso que eu quero escrever. O que eu quero dizer é que me preocupa o fato de que pessoas aleatórias estão se tornando referência para crianças e adolescentes.

Esse final de semana, enquanto assistia ao jornal, passou uma longa reportagem sobre a prisão de Justin Bieber. Já fiquei impressionada com o tamanho da reportagem, mas o que mais me chamou a atenção foi o depoimento de uma adolescente que chorava enquanto dizia: o que mais dói é saber que a pessoa que você ama está sofrendo e você não pode estar ao lado dela para segurar sua mão e dizer coisas bonitas.

Bom, eu já fui adolescente e tive minha época de "fanatismo musical". Mas meu fanatismo chegou apenas ao ponto de saber quanto os Hanson mediam, qual as cores prediletas deles e escrever uma carta de aproximadamente 3km com os dizeres: minha paixão pelo Hanson não tem tamanho, para participar de uma promoção que eu nunca cheguei perto de ganhar, pois a carta mais longa tinha 12 km.

Posso estar errada, mas não é um pouco demais dizer que ama o Justin Bieber e sofrer querendo estar ao lado dele dando apoio em uma fase difícil? Tudo bem amar as músicas dele, mas amar ele? Será? E o pior é que essas pessoas podem chegar ao ponto de serem influenciadas de tal forma que vão começar a dizer que dirigir bêbado, fazer racha, portar drogas e saí nas ruas de um outro país pichando os muros não é problemático.

Sim, isso pode ser só fase e eu também tenho vontade de voltar para minha fase de adolescente as vezes, na qual eu dizia que não tinha tempo para fazer os deveres de casa, mas na verdade ficava ouvindo CD's das minhas bandas prediletas e discutindo com as minhas amigas qual dos Hanson era o mais bonito. E sei que também não posso comparar, hoje em dia é muito mais fácil ter acesso a vida do ídolo e de fato se sentir mais próxima dele, mas isso não deveria ter um limite?

Não sei, mas acho que essa mania de participar demais da vida dos outros, de querer viver em um Big Brother, está fazendo com que a gente deixe de viver nossas próprias vidas e perca alguns valores, estou exagerando? Essa menina não devia estar achando que ama o cara que senta duas cadeiras na frente dela na escola ou sofrendo porque está correndo o risco de ficar de recuperação em matemática? Nossa, perdi as contas de quantas vezes eu chorei por causa de matemática, sou traumatizada até hoje!

E quanto a essa reportagem, só espero que essa menina logo perceba que amor é que ela sente pelo pai e pela mãe dela, que agora devem estar pensando: se o Justin Bieber vier fazer show no Brasil de novo, como vamos dizer para ela que ela está proibida de ir sem que ela nos odeie?

Comentários

Conceicao Belo disse…
Parabéns pela crônica!
Nunca vi tanta gente precisando de umas boas "palmadas" pra perceber que esse cantor é um delinquente e que não deve, de maneira nenhuma ser idolatrado.
Beijo

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