quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

DA FELICIDADE, APESAR DO CALENDÁRIO
>> Carla Dias >>


Ano passado, aquele que ainda espia o ano novo no seu dia um, muitos de nós decidimos que os problemas que tivemos não se repetiriam após a virada de calendário. Também que não bateríamos nas mesmas teclas, as tais que nos conduziram a diretórios nada agradáveis.

Promessas como essas são as mais maleáveis. Elas são empanturradas de esperança no dia um, ficam sóbrias no dia dois, quase sempre se perdem da gente no dia três. Obviamente, um ano novo é completamente inspirador, nutre-nos com a esperança impecável do “tudo é possível”. E sim, tudo é possível, até mesmo a possibilidade de nem tudo ser possível. Quando se trata do tudo, a vida, eventualmente, irá se comportar como uma criança emburrada.

Nesse dia um de ano novo em folha, também eu tenho lá meus desejos, eles travestidos de promessas que talvez eu não consiga cumprir, mas as quais me faz bem elaborar. Também eu aposto minhas moedas emocionais na gentileza como matéria-prima dos relacionamentos. E tenho uma prateleira cheia de desejos praticamente impossíveis de realizar, mas que me desafiam a não manter meu espírito acomodado em desejos que, nem sempre, eu desejo realizar. Que, quase nunca, enriquecem o meu ser.

Não há problema se os que lidam com listas do que realizar durante o ano pularem alguns itens, reformularem outros, ignorarem muitos deles. O bom dos desejos é que eles podem se adaptar ao que a vida nos oferece. Acredito que sábio é aquele que sabe ser mutante, não se desfazendo das conquistas feitas, mas compreendendo que, mesmo algumas delas não sendo exatamente como desejado, elas são, definitivamente, importantes.

2013 foi um ano complicado para muitos de nós. Certamente, 2014 também nos trará percalços, independente da necessidade coletiva de um ano tranquilo. O mundo é imenso, o ser humano é plural. Não há como evitar alguns tombos. Mas o que remete a um ano bom passa longe das comemorações de calendário. Não tem a ver com nome de dias da semana, tampouco com ponteiros de relógio. Podemos retomá-la a qualquer tempo, basta que nossos corações ensejem o feito.

Um ano novo é como um novo corte de cabelo, daqueles que vêm para inspirar mudanças. Por mais que visualmente a mudança se mostre acontecida, trata-se de uma jornada, de uma realização que pede tempo e diligência. É um trabalho diário de reconstrução interior, de reavaliação de prioridades.

Para que um ano bom aconteça é preciso que a boa vontade impere. Sendo assim, espero que, a partir de hoje, esse dia um tão celebrado, possamos imaginar a vida mais leve sem que haja prazo para entrega dessa leveza, como se ela fosse produto. Que nos empenhemos, independente do calendário, para nos tornarmos mais sábios, dignos de um mundo no qual o respeito e a compaixão possam operar seus milagres.

Feliz vida para todos nós!

carladias.com



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