quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O PODER DA FOFOCA >> Mariana Scherma

Ser jornalista, ter perfil em redes sociais e o simples fato de morar no planeta Terra são os principais fatores que me fazem estar sempre por dentro de algumas notícias de celebridades. Por mais que eu não queira saber, eu sei. Por mais que eu não queira comentar, de repente, solto algumas fofoquinhas e meu pai vem com uma exclamação “como você sabe desses assuntos, né?”. É, pai, eu sei. E eu também sei que ele não fica superorgulhoso desse meu tipo de sabedoria popular, enfim...

Mas vamos à questão. Como jornalista, desconfio de todas as fofocas e também acredito que onde há fumaça pode ter um show de reggae, quer dizer, pode ter fogo, sim. Por isso, quando fizeram todo aquele anúncio sobre o caso Cauã Reymond, Grazi e Isis Valverde, eu desconfiei de que era nada a ver e, depois, achei que tinha tudo a ver. Porque só porta não muda de opinião, né? Quando vi que a minissérie se chamaria Amores Roubados, achei piada pronta. Mas aí suspeitei de um complô pela boa audiência. No fundo, eu sou dessas que vê conspiração em tudo. Adoro, ué. Uma coisa é certa: enquanto não ler uma declaração de um dos envolvidos, vou seguir acreditando e duvidando, mas sem alarde. SEM alarde.

Ufa, cheguei na parte onde eu queria. Desculpa levar dois parágrafos do seu dia pra isso. Mas o que mais me chama a atenção nessas pseudonotícias de celebridade é como o povo ama uma traição. Pra muita gente, ver o circo pegar fogo entre casais é tão bom quando uma final de Copa do Mundo, tipo Brasil X Argentina. E sempre que eu vejo as pessoas eufóricas com essas fofocas, não consigo deixar de me perguntar o que eles ganham com isso. Muita gente vestiu a camisa da Grazi e chamou a Isis de tudo o que é nome feio. O que essa galera ganha com isso? Ainda comparando ao futebol, vestir a camisa do seu time e ser campeão é uma emoção boa, mas no caso de traição (ou não), é uma emoção vazia.

O poder da fofoca é uma coisa incrível mesmo. Também mobiliza multidões, como um esporte, mas, às vezes, tenho a impressão de que sempre rola uma torcida grande pela infelicidade alheia, principalmente se você é bonito e aparece na tevê. Como se isso já fosse sorte o suficiente. Algo como: “tá na Globo? Ah, merece um chifre!”. É por isso que eu admiro artistas que não falam um “a” sobre sua vida privada. Se você gosta do trabalho dele, não precisa saber sobre seus romances, sobre suas preferências no café da manhã... Aprecia o trabalho e pronto, ué. Confesso que fico até mais fã de artistas que não possuem perfil em redes sociais, isso conserva o mistério.

Fofoca é uma coisa louca mesmo. Você sabe, veste uma camisa e sai xingando um dos personagens da fofoca como se fosse um juiz de futebol (não que o juiz mereça os xingamentos). Fofoca dá às pessoas um poder de juiz soberano, todo mundo tem um julgamento pronto pra soltar. Pobre de quem vira alvo. E vamos combinar, pra virar alvo de fofoca não precisa nem ser celebridade.


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2 comentários:

Gustavo Luiz Maia disse...

gostei muito, odeio fofoca, me conta outra... shasuhuas

albir disse...

Tem razão, Mariana, pra virar alvo basta estar ao alcance.