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... MAS O QUE É ISSO? >> Clara Braga

Outro dia apresentei um dos espetáculos do meu grupo de teatro dança para pessoas com deficiência em um teatro aqui de Brasília e, logo após a apresentação, fizemos um bate-papo com o pessoal que foi assistir.

Entendo que essa ideia de um grupo de dança que mistura pessoas com e sem deficiência no palco ainda é um tanto recente aqui em Brasília e poucas pessoas viram espetáculos assim, por isso, acho curioso esse bate-papo final, surgem tantas questões e comentários interessantes que daria para escrever um livro só com eles.

Um dos comentários mais comuns é em relação à superação. As pessoas ficam muito emocionadas e dizem que é muito lindo ver a superação das pessoas com deficiência dançando. Com o passar do tempo e conforme fomos trabalhando, começamos a nos questionar: porque quando eu danço, eu apenas trabalhei e estudei para aprender aquilo e por isso estou dançando, mas a pessoa com deficiência superou limites? Ela não pode ter apenas trabalhado muito para adquirir aquele conhecimento, assim como todos nós?

As pessoas também costumam elogiar muito o trabalho dos professores, dizendo que o que a gente faz é maravilhoso, já chegaram até a dizer que é quase milagroso!!! Ah, se essas pessoas imaginassem o quanto a gente aprende com nossos alunos que tem deficiência, eles elogiariam o trabalho deles, o esforço deles, pois pra gente não é esforço nenhum estar com eles!

Bom, mas nessa última apresentação surgiram umas perguntas diferentes. Primeiro perguntaram o que é dança para a gente. Bom, o que é dança? Dança é movimento, como todos nós que estamos vivos nos mexemos, pois piscamos, respiramos, nossos corações batem, então todos nós podemos dançar! Dança nada mais é do que fazer poesia com o corpo. E então surgiu a outra pergunta que rendeu um belo debate para o resto da noite: E então, o que é poesia?

O que é poesia? Dentre tantas respostas e discussões, acho que poesia pode ser o que você quiser que seja! O nosso dia, se quisermos, pode ser repleto de poesia! Alguns vão para o trabalho focados apenas no trânsito e em chegar logo, outros vão observando a luz do sol refletida na poça de água que foi formada pela chuva, admiram aquela pequena borboleta que passou na sua frente toda colorida, sorriem e se sentem presenteados quando aquela música que adoram começa a tocar na rádio! Todos os atos corriqueiros que fazemos sem prestar atenção, mas que um dia observamos algo novo naquilo e temos uma experiência, essa experiência pode ser poesia, não pode?

Bom, não sei se é isso, acho que isso funciona mais como a minha livre interpretação do que é poesia, muitos vão discordar, outros concordar, mas independente das diversas opiniões, gostaria apenas de desejar a todos dias repletos de muita poesia!

Comentários

Analu Menezes disse…
E que a vida seja poética, que consigam enxergar o que você discorreu tão bem. Dançar é fazer poesia! Sem dúvida, minha amiga!
Um abraço e parabéns pela crônica!
Zoraya disse…
Valeu, Clara, mandou bem. Quisera que todos nós, eu inclusive, lembrássemos de quao efêmera é a vida, e quanto mais poesia nela, melhor

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