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É PROIBIDO PIRAR >> Carla Dias >>

Ah, mas quê? Nem se apegue ao artefato verbo-vintage. Pirar ainda é uma das coisas que podem ser boas, se aplicada da maneira correta. E então você me diz que não há maneira correta de pirar, e eu concordo. Há apenas a escolha mais justa. Pirar é o tipo de coisa que pode ser boa, quando não pulamos a cerca do limite alheio, e agimos como se lá fosse o quintal da nossa casa.

Mas que isso! Não precisa torcer o nariz ao adjetivo desinibido que é o proibido! Mas também não me venha com clichês de doer olhos e ouvidos, como o proibido é mais gostoso, porque nunca acreditei nisso. Sem contar que mais gostoso é menos bacana (adjetivo-vintage) do que anda se falando em Saramandaia. Sou mais o bastantemente ótimo.

Porque é proibido pirar, meus caros, se a piração tem como alvo o que não deve sê-lo. Esqueçamos aquelas ideias que temos na sala de casa, num domingo chuvoso, quando falar sobre política significa descer o sarrafo no que desconhecemos, e em dois segundos, a conversa se mistura às gargalhadas provocadas pelas pegadinhas em programas de auditório. É preciso reciclar a lista de importâncias que trazemos na consciência.

Quando as exigências são coletivas, são dos cidadãos, é proibido pirar, senão se corre o risco de perder a oportunidade de se fazer a mudança necessária. É preciso conhecer, e muito bem, o que nos proíbe de alcançar o justo, o de direito. Só assim existirá a chance de se mudar o cenário.

Eu sei... Não posso enfiar a mão nessa cumbuca, que não fui para as ruas, não lutei com palavras ou empunhei bandeiras. Mas saibam que sou profundamente grata pela parte cidadã que me toca. E que me comporto da melhor forma possível para fazer a minha parte cidadã na rotina.

Talvez eu esteja completamente enganada. Talvez eu tenha usado a apresentação menos justa. É preciso pirar seria o ideal. Deixemos, então, o proibido para as o estacionar paralelo às guias rebaixadas, para a roubalheira, para a criminalidade. Vamos pirar nas ideias certas, e uma delas figura na minha bandeira oficial, que, aposto, é a da maioria: ensino.

Vamos aprender a aprender para ensinarmos decentemente. Vamos apostar no conhecimento como a ferramenta para que, futuramente, nossos líderes sejam capazes de compreender, em uma simples conversa, que não somos idiotas, e queremos assegurados nossos direitos de cidadão.

Piração? Contemplação...

Então, é melhor continuarmos seguindo.

carladias.com

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