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SEM PRESSÃO, POR FAVOR
>> Fernanda Pinho

Considerando os resmungos generalizados, acho que acontece com todo mundo.  Você está solteira, querem te fazer namorar. Você está namorando, querem te casar. Você está casada, querem te engravidar. Estou sentindo isso na pele especialmente depois de ter me casado. Desde então, escuto todos os dias (TODOS OS DIAS!) alguém me dizer que eu tenho que ter um filho. E, gente, eu estou casada há apenas nove meses (NOVE MESES!).

O assunto dá pano pra manga, colarinho e bolsos. Poderia falar sobre a necessidade das pessoas de tentarem organizar a vida alheia ou sobre como a sociedade acredita que se você não está seguindo determinado padrão (Padrão? Eu falei padrão? Que ano é hoje?) tem alguma coisa errada com você. Mas nem é o caso. O que me traz ao desabafo é como esses conselhos imperativos me incomodam. Primeiro porque, definitivamente, eu quero fazer o que eu quero, não o que os outros querem que eu faça. Segundo porque esse tipo de comentário acaba provocando efeito contrário em mim. 

Seja em casos específicos, como o supracitado, ou em situações genéricas. Pressionou, desanimo. Quando falo em situações genéricas me refiro às frases feitas que ouvimos toda hora e que chegam a me gelar a espinha. Quer coisa mais enervante do que alguém mandar você relaxar? Se alguém me manda um “relaxa” quando estou tranquila, fico automaticamente nervosa. Se eu já estou irritada, beiro o ataque de nervos. A intenção pode até ser boa, não duvido. Mas o efeito é contrário, e tenho certeza que não é só comigo.

Exatamente como acontece quando entramos despretensiosamente numa loja e a atendente te manda ficar à vontade. “Fique à vontade”, a frase mais detonadora de espontaneidade e acolhimento que já inventaram. Você sabe que estão te observando, você sabe que estão te pressionando e você sabe que não está, em nenhum nível, à vontade.

Outra que eu odeio? “Se cuida”. Ou odiava, porque, graças a Deus, faz tempo que não ouço mais.  Essa é a preferida dos homens com pretensões de ter algum tipo de relação com você. Eu, que já tive uma fase de ser tonta, achava até bonitinho quando um cara falava isso pra mim. “Que fofo, ele se preocupa comigo”.  Depois eu aprendi. Não é fofo, é até bem cafajeste, porque faz parecer fofo. A relação que esses homens pretendem é, de preferência, bem superficial, porque ao mandar você se cuidar ele já está automaticamente tirando o corpo fora. E, bom, nós sabemos que temos que nos cuidar, não precisa ninguém dizer.  Nos últimos tempos da minha vida de solteira, “se cuida” já estava virando critério de eliminação.  Felizmente encontrei um que nunca me disse isso. “Eu cuido de você”, foi o que ele me disse e era o que eu precisava. Aí eu relaxei, fiquei à vontade e decidi ter um filho.

Mas quando nós dois quisermos. 

Comentários

Fabio Fernandes disse…
Olá Fernanda!
Claro que você não é homem, mas deve imaginar o significa um chuto no saco?! É parecido com o que você relatou. Mas... Nem sempre vamos ouvir o que queremos. Parabéns ao pai do seu filho, "inovou" saiu da mesmice, isso é algo muito positivo... Abraço! gostei do blog.
www.beabadosucesso.com.br
Zoraya disse…
Fernanda, você tocou no ponto certo. Que mania enjoada e desagradável de as pessoas quererem dirigir a vida alheia, como se soubessem o que é melhor. E essa sequencia de vida que dizem ser a normal é de lascar! Nascer, crescer, casar, ter filhos, virar avó e... deixa pra lá. Adorei a crônica. Cada um sabe o seu tempo.
silvia tibo disse…
Identificação total com o seu texto, Fernanda!Eu simplesmente NÃO funciono de maneira alguma sob pressão!
O texto está uma delícia!!!

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