quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

ATÉ O JARDIM >> Carla Dias >>

Durante 2008, deixei registrado aqui no Crônica do Dia tantas e tantas importâncias. Dos shows e filmes que assisti, as tiradas dos sobrinhos; conquistas, percepções, apaixonamentos, decepções, poesia.

De certa forma, o Crônica foi meu diário de bordo, onde tatuei parte de quem sou... Uma parte realmente necessitada da palavra escrita e lida; do compartilhamento com os leitores. Em 2008, aprendi alguns truques de sobrevivência, entre eles um que me ajudou a enfrentar algumas barras: o dane-se.

Permiti que se danassem questões que não eram realmente minhas, apesar de afetarem minha vida. Dei um belo dane-se a elas e fui me virar com as conseqüências, descobrindo que, muitas vezes, melhor é bancar a louca mesmo e sair andando.

Neste último dia de 2008, não tenho uma lista de coisas que fiz e que deveria ter feito, mas ficaram na promessa. Trago, sim, um sentimento estranho de quem sobreviveu, mais do que viveu, a este ano, e que isso foi fundamental para que descobrisse alguns alentos e me desprendesse de vários rótulos que, percebi, andava colecionando.

Perceber é algo bom. Por exemplo, percebi, enquanto escrevia as linhas acima, que ainda há muito a ser vivido. Que experimentar é base da criação; que desejo profundamente que certas coisas – aquelas que posso transformar – mudem de cara, cor e rumo. Que posso e devo me concentrar nessas mudanças, se quiser ter sobre o que falar e o que viver em 2009, 2010, 2011, 2012...

2008 para mim foi um terreno pronto para o cultivo. Lá eu resolvi plantar flores que, acredito, darão em um belo jardim. E sem bancar a preguiçosa, porque isso eu não sou mesmo, quero mais é deitar na rede e me deslumbrar com a beleza desse jardim que, uns e outros, podem até chamar de 2009.

É o que desejo a todos no ano que chega: jardins dignos de serem contemplados. E também o que diz a canção abaixo:


Isopor
(Élio Camalle/Kléber Albuquerque)

Que a luz da lua escorra
Pela pele, pelos pêlos
E que raios de sol
Embaracem seus cabelos
Que a vida lhe dê muita saliva
Pra lamber sonho em carne viva
Que seu riso não tenha o mínimo pudor
Que os ventos soprem sempre a seu favor
Que você encontre a cama feita,
A mesa farta , a casa em festa
Que a boa estrela grude no meio de sua testa
E que o mal tenha paredes de isopor
Tudo de bom... Tudo de bom.



ISOPOR - Kléber Albuquerque


Imagem: Carlos Drexler



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3 comentários:

Marisa Nascimento disse...

Carla, que você possa, em 2009, sentir o perfume de cada uma das suas flores plantadas neste ano.

Eduardo Loureiro Jr. disse...

Carla, você escolheu a metáfora certa: o cultivo. Não há erro: plantou, colheu. Suas palavras admiráveis, por exemplo, continuaram me causando admiração em 2008. :)

Marina disse...

Carla,

Feliz 2009!

Suas palavras são solidárias companheiras para tornar a vida compreensível e mais leve.

Obrigada por compartilhar seu modo de viver.

Abraço
Marina