GAVETAS >> Carla Dias


Sobre importâncias que cabem na gaveta e podem ser transportadas em uma sacola de plástico adquirida no supermercado por onze centavos, que virá para casa jurada de não sucumbir aos mares e ser reciclada quando for a hora. Aquelas que cabem somente na cabeça, ela que é considerada um ambiente de vadiagem de pensamentos que se envolvem em um entrelaçado de verdades doídas, corroídas, magníficas e imaginados deslumbradores de céticos, conquistadores boêmios de quem busca fôlego para contrapor o cenário de uma pá de realidades grotescas sendo lançada a cada segundo sobre esperanças sobreviventes. As coisas que alentam ao oferecer pausa de disfarçar calamidades. Então, as calamidades se aninham na espera até serem regurgitadas violentamente e a fome as acolher. A fome aceita o que se lança a ela porque sofre de falta e a ausência é vedete do departamento das badernistas eficientes em desancar lógicas – pelas quais sente um misto de desejo e aversão – e de fazer dois e dois serem cinco. As que cabem em envelopes raros – em tantos aspectos e licença-deleite –, esmeradas em se mostrarem dignas de um estação pretérita, de quando dançavam fazendo par com as palavras esquecidas que hoje cabem em qualquer gaveta, enterradas pelo desinteresse do destinatário por conta de selo raro, magnânimo e conteúdo equivocado. Sobre importâncias que moram nas cabeças que arquitetam, durante surtos de aprazimento, como abrir aquela gaveta... e outra... outra... 


Imagem © Peter H por Pixabay

 

carladias.com


Comentários

Zoraya Cesar disse…
Carla, o 'problema' de seus textos é que eles são tao bons, tão bons, que eu sempre tenho medo q qq comentário meu pareça deslocado. Qq palavra perto das suas fica pálida. É isso.

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