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QUANDO ROUBAR PARECE CERTO >> Clara Braga

Outro dia meu marido me mostrou uma entrevista com um baterista que eu gosto muito na qual ele falava abertamente sobre ter copiado na música dele um pedaço da bateria da música de outro baterista.

Rapidamente a declaração gerou uma certa polêmica. Algumas pessoas se diziam decepcionadas, pois como copiar algo não é autêntico, ele não deveria ser um baterista assim tão bom. Outros falaram sobre plágio. E alguns poucos pareciam compreender.

A declaração me lembrou de um livro maravilhoso que li tem um tempo: roube como um artista. Esse livro fala sobre criatividade e diz basicamente que todo artista já ouviu a seguinte pergunta: de onde você tira suas ideias? Porém, apenas os muito sinceros têm coragem de responder a verdade nua e crua: eu roubei!

Pode parecer estranho, mas é um alívio que alguém diga isso abertamente. Como os artistas criam? Eles só criam pois se inspiram em suas referências. Não existe escritor que não leia, pintor que não vá a museus, atores que não assistam peças teatrais ou qualquer outra arte que não seja criada a partir da inspiração de algo que já foi feito.

Quer começar a criar algo autêntico? Copie muito quem você gosta, copie suas referências, assista muitos filmes, leia muito, veja fotografias, veja pinturas, enfim, crie seu repertório e depois de um tempo você vai perceber que tudo ao seu redor pode virar arte.

E se algum dia você ouvir uma música ou ler um livro e achar que aquilo lembra um outro artista, pode ser que você tenha descoberto uma das referências daquele artista. Não pense nem por um minuto que aquilo é ruim por se parecer com algo já feito antes, afinal, levando toda essa reflexão à um nível ainda mais profundo: não seríamos nós uma espécie de cópia daquilo que já fomos, ou seja, não somos de uma certa forma uma cópia autêntica de nós mesmo?

Comentários

Anônimo disse…
"Na natureza nada se cria, tudo se transforma".
Muito bom!👋👋👋
Zoraya Cesar disse…
Que discussão interessante! E eu gostei imensamente das perguntas finais. Até pq elas não têm resposta... muito bom, Clara!
Cristiana Moura disse…
autorização para roubar o que crio, o lugar donde vem o que crio ou que se mistura com algo sensível em mim. Ai, que maravilha ler esta crônica!