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branco >>> benteví

mea culpa
- eu
sempre distraído -
nunca tinha percebido antes
mas lá está ele
em meio aos meus bem-te-vis
o meu benteví

nasceu errado
sem saber que não poderia existir
em tempos de regras
hifens virgulas e pontos
- o politicamente correto -
lá está ele
cantando alto seu canto absurdo
sem perceber que é apenas um erro

está pousado na árvore grande
olho-o por 7 vezes
e por 7 vezes o culpo
mas também o perdoo
por 7 vezes
por pena por indiferença
- é o que digo a mim mesmo -
mas na verdade por admiração

- penso -
quisera ser como ele
viver sem ter consciência
de que não deveria ter nascido
e poder cantar
por não saber o canto impossível

vejo-o ainda pousado na grande árvore
sozinho agora
- e para sempre -
também não sabe
que jamais existirá uma benteví
desconhece sua sina
de nascer viver e morrer
dentro de sua própria solidão
- que ele também desconhece -
ouço mais uma vez seu canto
que repentinamente me parece
mais belo que todos os demais

Comentários

Anônimo disse…
Sete vezes aprecio, sete vezes agradeço e sete vezes o parabenizo meu querido amigo! Abraços ! Olavo
Anônimo disse…
Não creio. Até nos momentos em que a rebeldia se manifesta, a sutileza em seu discordar é comovente. Quantos bentevis existem dentro da gente?
Osmar Andrade disse…
Parabéns!
Muito bonito.
Unknown disse…
Muito lindo a poesia ... parabéns
Daniela Lara disse…
Bem-te-vi... ainda bem que te vejo! E quanta beleza que carrega...
Lindo, Wilson!

Julia Ferreira disse…
Linda sua poesia. Parabéns!!!!
Unknown disse…
Parabéns!!!!!


Parabéns!!!!!!
Anônimo disse…
Que beleza 🐻
João JC disse…
Superando-se a cada dia meu amigo,.
Parabéns!!
Unknown disse…
Lindo! Parabéns!
Ana Paula disse…
"ouço mais uma vez seu canto
que repentinamente me parece
mais belo que todos os demais"
Lindo !
Anônimo disse…
Em uma sociedade dolorida, me chega a sensibilidade das suas palavras , gratidão por compartilhar o que verte do seu ser!
Carla Dias disse…
As buscas, não? E daí que, em meio ao que nos causa estranheza, lá vem ela, a beleza.
branco disse…
mea culpa.
esta é apenas a segunda vez que entro para agradecer os comentários, nem sei se sou merecedor deles, mas mesmo assim agradeço cada palavra elogiosa, pois assim como um pedreiro fica feliz quando o dono da casa elogia a construção, eu fico pleno em ler que meus poemas fizeram um segundo de alguém ser um pouco menos árduo.
peço desculpas pelas vezes que deixei de agradecer e tenham em mente, estarei sempre agradecendo.
branco
Zoraya Cesar disse…
lá está ele
cantando alto seu canto absurdo
sem perceber que é apenas um erro

A inocência dos loucos, das crianças, dos que sabem ser a vida efêmera, dos sábios. que poema mais maravilhoso de lindo, branco!
Rita Moreira disse…
como sempre....boas são suas palavras...lindamente na poesia expressando sempre o íntimo da alma...parabéns wilson