Pular para o conteúdo principal

FÁCIL E RÁPIDO >> Paulo Meireles Barguil


“Entrem pela porta estreita,
pois larga é a porta e espaçoso o caminho
que conduzem à perdição.
São muitos os que entram por ela.
Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho
que conduzem à vida.
São poucos os que a encontram.”
(Mt 7, 13-14)
 
O Mestre tem uma Didática inigualável, pois explica as suas ideias sobre a vida a partir do cotidiano dos seus ouvintes.
 
Pouca importa onde eles estejam e quando as escutem: eles sempre podem entender a mensagem enunciada com desconcertante profundidade.
 
O caminho, já dizia o poeta, é feito pelo andarilho.
 
De vez em quando, uma companhia ou uma carona pode ajudar.
 
Embora a sabedoria popular aconselhe não conversar com estranhos, muito menos com eles viajar, a solicitação de certidão negativa costuma ser inútil.
 
Seja porque ela pode ser fraudada, seja porque o emissor costuma ser desconhecido, seja porque a sua descrição revela-se desatualizada pouco tempo depois da lavratura...
 
No trajeto, várias portas e janelas – largas ou estreitas, abertas ou fechadas, novas ou velhas – compõem o cenário, tornando-o – ou não – atraente e, por vezes, enigmático.
 
A convivência permite a revelação, que nunca é definitiva: sempre haverá algo oculto, principalmente quando ignoramos que a jornada externa é o enredo para empreender o mergulho íntimo.
 
Nessa perspectiva, a velocidade empreendida costuma ser inversamente proporcional à qualidade do que é encontrado dentro e fora.

O que vem fácil e rápido costuma ir também no mesmo ritmo.
 
A alma se sabe eterna, por isso abriga o frenético corpo, que, ciente da sua transitoriedade, esgrime para alcançar o que ela é sem ter feito qualquer esforço.
 
Equilíbrio é quando acontece o fascinante encontro de ambos.


[Via Ápia – Roma – Itália]

[Foto de minha autoria. 23 de março de 2013]  

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …