sexta-feira, 2 de março de 2018

FÁCIL E RÁPIDO >> Paulo Meireles Barguil


“Entrem pela porta estreita,
pois larga é a porta e espaçoso o caminho
que conduzem à perdição.
São muitos os que entram por ela.
Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho
que conduzem à vida.
São poucos os que a encontram.”
(Mt 7, 13-14)
 
O Mestre tem uma Didática inigualável, pois explica as suas ideias sobre a vida a partir do cotidiano dos seus ouvintes.
 
Pouca importa onde eles estejam e quando as escutem: eles sempre podem entender a mensagem enunciada com desconcertante profundidade.
 
O caminho, já dizia o poeta, é feito pelo andarilho.
 
De vez em quando, uma companhia ou uma carona pode ajudar.
 
Embora a sabedoria popular aconselhe não conversar com estranhos, muito menos com eles viajar, a solicitação de certidão negativa costuma ser inútil.
 
Seja porque ela pode ser fraudada, seja porque o emissor costuma ser desconhecido, seja porque a sua descrição revela-se desatualizada pouco tempo depois da lavratura...
 
No trajeto, várias portas e janelas – largas ou estreitas, abertas ou fechadas, novas ou velhas – compõem o cenário, tornando-o – ou não – atraente e, por vezes, enigmático.
 
A convivência permite a revelação, que nunca é definitiva: sempre haverá algo oculto, principalmente quando ignoramos que a jornada externa é o enredo para empreender o mergulho íntimo.
 
Nessa perspectiva, a velocidade empreendida costuma ser inversamente proporcional à qualidade do que é encontrado dentro e fora.

O que vem fácil e rápido costuma ir também no mesmo ritmo.
 
A alma se sabe eterna, por isso abriga o frenético corpo, que, ciente da sua transitoriedade, esgrime para alcançar o que ela é sem ter feito qualquer esforço.
 
Equilíbrio é quando acontece o fascinante encontro de ambos.


[Via Ápia – Roma – Itália]

[Foto de minha autoria. 23 de março de 2013]  


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