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DA INCAPACIDADE DE APRISIONAR O TEMPO ou “a morte detesta esperar” >> Carla Dias >>


O silêncio o domina.

Calaram a boca do mundo?

Observa a todos e ao tudo, assim: cinema mudo. Seu coração acelera, mas ele não escuta seu manifesto. Silenciosamente, o corpo grita urgência e ele ali, paralisado. Olhar desalinhado. Pernas incapazes de coreografar passos. Até seus pensamentos são rodados em silêncio.

Nada do som das palavras pronunciadas. Zero sonoplastia. Ah, essa silente taquicardia que o faz sentir como se o coração estivesse sendo expelido do peito. É quase como sentir a carne se rasgar, abrir caminho para o músculo e todo o simbolismo que ele carrega.

Das importâncias: reencontros.

Por que a saudade das vozes de seus afetos? E de uma das canções preferidas; das que acalmam tempestades interiores. Só que o silêncio, ah, esse silêncio que se coloca entre ele e o mundo, durante esse agora de coração ralentando, ralentando, ralentando.

Então, ele entende que o tempo não dura a duração das nossas buscas. Sempre acabamos antes, escolados que somos em nos perdermos em esperas.

Imagem: Ritual © Stella Snead

Comentários

Zoraya Cesar disse…
Que espetáculo de crônica, Carla! Espetáculo.
Carla Dias disse…
Zoraya... Obrigada. Obrigada. Obrigada.
Beijo.

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