quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

OFF >>Analu Faria

"A gente perde muito tempo com isso, perde o norte, esquece que aquilo ali é, no fundo, uma mentirinha", declarou solenemente a colega de trabalho, ao "dar um tempo" das redes sociais. Fechou com um "O estudo agora é mais importante.." Também a amiga de adolescência, o crush da academia, o porteiro do meu prédio e não sei mais quem decidiram "se desligar". Pronto, pensei, lá vêm os intelectuais. Musos do existencialismo. Mestres do foco na carreira. Os mega blaster do "minha privacidade primeiro".

Fiquei com inveja e fiz igual. 

(Não sem antes pensar: "Como eu vou seguir as migas feministas?  E onde eu vou ler os textões problematizadores? E como vão chegar até mim as piadas? E, principalmente: E os vídeos de gatinhos????")

Até os dezenove anos de idade, eu não tomava café. Comecei a fazer um estágio na secretaria de um juízo e o negócio era bem enfadonho. Para espairecer um pouquinho, eu fazia o que todo mundo lá também fazia quando queria dar um tempo: ia para a cozinha, onde sempre havia... café e só café.  Comecei a tomar para me distrair. Hoje não consigo parar.

Na rotina de quem traçou planos para ganhar um dinheiro razoável fazendo o que gosta - e, especialmente na rotina de alguém cujos objetivos de vida e carreira mudaram tantas vezes -  pode haver um caminhozinho chato igual a um estágio em secretaria de vara judicial do interior. Distrair-se é a maior das tentações. Perceber que a distração não pode te tirar do caminho talvez seja essencial.

Ou não. Essa coisa de "foca nos estudos, larga as redes" pode ser uma desculpa minha para esconder uma fase introspectiva. Pode ser para imitar os colegas. Pode ser para pagar de intelectual, de musa do existencialismo, de mestre do foco na carreira, de mega blaster do "minha privacidade primeiro". 







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