Pular para o conteúdo principal

CORRA, TEMPO, CORRA! >> Mariana Scherma

Por alguns motivos, eu ando ansiosa que, olha, desnecessário. Já apareceram quatro fios de cabelo branco extras, alguns chocolates da dispensa foram parar na minha boca em um momento de insanidade, o foco se perdeu, o chão parece ter sumido, sei lá... Dias ruins todos temos, expectativas ruins também. Felizes são aqueles que não sofrem por antecedência. Sinto inveja de vocês. O reino dos céus é todo de vocês, que andam por aí leves e com zero encanação. Das minhas tentativas de relaxar, já foram feitas...

Muita natação. Muita mesmo. Com um sem fim de chegadas borboleta pra cansar o corpo. Mas a alma seguiu inquieta. Maldita alma sem fôlego.

Faxina na casa. Tem aquela história de feng shui que diz que, ao arrumar espaços, você traz mais paz pra sua vida. Arrumei e limpei tanto que dava pra comer no chão e sigo igual. Não entendo nada de feng shui, moral da história.

Pintei as unhas. Pra mim, é mais fácil ser feliz de unhas coloridas. Sigo ansiosa, mas pelo menos com as unhas bonitinhas. Um toque de beleza em um corpo descontrolado, ué.

Liguei para todas as pessoas que amo pra dividir eu desespero. Meu desespero não reduziu, só deixei as pessoas incomodadas com meu problema. Sou uma ansiosa egoísta, confesso.

Enchi os carrinhos de compra dos sites que gosto de coisas que não precisava. Saí sem comprar um item. Pelo menos, sou uma ansiosa mão de vaca.

Escrevi textos mentais de muitos desaforos para as pessoas que precisavam ouvi-los. Depois desisti. Sei brigar muito bem na minha cabeça, mas só no imaginário mesmo.

Torci para o futebol feminino. Elas não chegaram à final. Torci para o handebol, mesma coisa. Para o vôlei feminino, idem. Ansiosa and pé frio. Desculpa, Brasil.

Li um monte, até que vi que virava as páginas e não absorvia o conteúdo. Palavras em português na minha frente eram como palavras tchecas: impossível entender.

Lembrei-me do que minha mãe sempre diz “ansiedade assim só vai deixar você velha e feia”. Concordei. Mas talvez só consiga ter essa segurança quando for velha e tiver perdido a conta dos cabelos brancos.

Agora, reviso esse texto com um chá de camomila do lado. Chá de camomila para essa alma enlouquecida? Faz me rir!


Deixei meus problemas na mão do universo, melhor. Mas vira e mexe tento entrar em contato com o universo pra saber o que ele decidiu. Por favor, tempo, passe logo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

MÃE – A MINHA, A SUA, TODAS
[Debora Bottcher]

Pessoalmente, não gosto de escrever sobre ‘datas especiais’ porque sempre me pergunto quem foi que inventou esses ‘dias de’ e baseado em que. É que apesar de eventuais evidências, eu me recuso a crer que essa ‘mágica’ idéia resiste ao tempo, à modernidade, às novas gerações, fincada apenas no foco de atiçar as vendas do quase-sempre-em-crise mercado comercial – digo ‘quase’ porque todas as vezes que vou ao shopping, em qualquer dia da semana, assombro-me com o movimento constante. Daí não tenho certeza de entender bem a base dos números e imagino sempre que é porque as estimativas são ousadas e otimistas demais, muito acima do poder aquisitivo da população média.
Seja como for, se me proponho a abordar o tema do momento – o ‘Dia das Mães’ - prefiro direcioná-lo à figura materna diretamente, para quem, certamente, tal dia é apenas uma vírgula no traçado de sua (árdua) trajetória. Não sou Mãe – que fique claro; portanto, para dedilhar (vagamente) sobre elas, vou me basear na minha, nas m…

EU ESTOU BEM >> Sergio Geia

Digamos que foi um susto. No último dia 11, eu voltava de Jacareí sentido Taubaté, seguia o fluxo normalmente quando no km 156 da Via Dutra, bem em frente ao posto de guarda, em São José dos Campos, os carros à minha frente — como em Blecaute, de Marcelo Rubens Paiva —, simplesmente congelaram. De 80 km, naquele trecho, para zero, em fração de segundo. Não tive tempo de rezar (ah, como eu queria!), nem sequer olhar pelo retrovisor, descobrir se havia ou não uma carreta atrás de mim. Quando a ficha caiu, pisei fundo no freio, consegui não atingir o veículo à minha frente, mas, também, só por outra fração de segundo. De repente, uma sensação esquisita: eu senti a estocada, os objetos que estavam em cima do banco do carona voaram, logo meu veículo era arrastado até atingir o da frente.

Desci. Os motoristas dos outros quatro carros desceram, todos confusos, querendo entender. Os três primeiros carros, incluindo o meu, pequenos danos materiais, levíssimos diante do susto. O penúltimo e o …

À DISTÂNCIA (Paula Pimenta)

E se quiser recordar daquele nosso namoro
Quando eu ia viajar você caía no choro Eu chorando pela estrada Mas o que eu posso fazer Trabalhar é minha sina Eu gosto mesmo é d'ocê...
(Vital Farias)

Quem nunca namorou de longe, não vai conseguir entender metade do que eu vou escrever nessa crônica, porque só quem já passou por essa experiência sabe o quanto ela é difícil. Mesmo assim vou tentar explicar, para todas as vezes que vocês se depararem com alguém reclamando da ausência do namorado, não começarem com as manjadas frases que não fazem nada pela pessoa solitária: “Ah, mas pelo menos quando vocês se encontram tudo é festa, nem tem tempo pra brigar.” Ou: “O tempo está passando rapidinho, logo o próximo feriado chega.” Ou ainda: “É bom que no período que ele está longe você pode curtir com os amigos.”

Só quem namora à distância sabe o quanto essas frases são mentirosas. O tempo não está passando rapidinho, pode até passar pra quem está com o namorado do lado, podendo ir com ele ao cinema …