quarta-feira, 17 de agosto de 2016

ROBERT DE NIRO: LEVANDO A VIDA DANDO VIDA AOS PERSONAGENS >> Carla Dias >>


Lembro-me do primeiro filme que assisti, daquela cena angustiante no teatro, porque eu já sabia que ele não prestava. Lembro-me também de que tinha vontade de chacoalhar a menina, para ver se ela acordava para a vida. Gritei algumas vezes com a tevê, saí daí!, mas ninguém saiu. Deu no que deu... Um dos melhores personagens que um ator eternizou. Um dos melhores filmes.

Hoje é aniversário de Robert De Niro. Setenta e três anos. Dizer que ele é talentoso é mergulhar na obviedade. Pensando nos personagens aos quais ele deu vida, fiz uma lista dos filmes que mais me impressionaram, dos quais me lembro fácil e já assisti algumas vezes. A lista ficou longa e tive de me esforçar para selecionar somente cinco.

Cabo do Medo
O primeiro deles foi o primeiro sobre o qual falei no início desta crônica: Cabo do Medo (Cape Fear/1991). Dirigido por Martin Scorsese, o filme conta a história de Max Cady (De Niro), um homem condenado por estupro, que sai da prisão, após quatorze anos, e passa a perseguir a família do advogado Sam Bowden (Nick Nolte), que o defendeu, mas omitiu informações que poderiam tê-lo beneficiado no julgamento. As cenas de Cady com a filha do advogado, Danielle Bowden (Juliette Lewis) são as que agoniam profundamente o espectador.

Cabo do Medo é uma refilmagem de Círculo do Medo, filme de 1962, com Robert Mitchum como Max Cady. Porém, De Niro eternizou o personagem e fez um ótimo trabalho. Cabo do Medo estará sempre na lista dos meus preferidos.


Mais um de Martin Scorsese entra para minha lista. Mais um filme em que De Niro interpreta um personagem perturbado de forma brilhante. Taxi Driver – Motorista de Táxi (Taxi Driver/1976), conta a história de Travis Bickle, veterano da Guerra do Vietnã, mentalmente instável, que começa a trabalhar como motorista de táxi.

Taxi Driver
Solitário, acostumado a enxergar os matizes da miséria e da violência, aproxima-se da decadência por meio de suas viagens pelas noites de Nova York e das personagens que encontra pelo caminho. Apesar de se aprofundar no cometimento da violência, tenta convencer uma prostitua pré-adolescente, Iris (Jodie Foster), a abandonar as ruas.


Eu sei que muitos o fizeram, e muito bem, mas De Niro continua sendo minha preferência quando se trata de interpretar o próprio, Lúcifer. Coração Satânico (Angel Heart/1987) é impactante. São muitos os filmes de Alan Parker que eu adoro, principalmente quando ele assina o roteiro, o que acontece nesse caso. O filme é baseado no livro de William Hjortsberg, Falling Angel.

Coração Satânico
Louis Cyphre (Robert De Niro) contrata o detetive particular Harry Angel (Mickey Rourke) para encontrar um cantor desaparecido. A busca começa em Nova York, mas logo Angel segue para New Orleans, onde os mistérios e as mortes aumentam, assim como sua ligação com o ocultismo. Há cenas realmente perturbadoras, e o ambiente criado por Parker, casado ao ocultismo perseverante de New Orleans, formam um cenário perfeito para o desfecho dessa história. A dupla Hourke e de Niro é um verdadeiro presente para o espectador.



Para mim, talvez os afetos se misturem nesse filme: personagem, ator e diretor. Keneth Branagh, além de talentoso ator, é um diretor que me interessa, que faz filmes que me atraem. Mary Shelley criou dois personagens muito fortes, que vêm sendo explorados em adaptações que trafegam por todos os gêneros: Victor Frankenstein e sua Criatura. Ainda assim, o original ainda me interessa mais. Por isso mesmo, Frankenstein de Mary Shelley (Mary Shelley’s Frankenstein/1994) entra para a minha lista.

Frankenstein de Mary Shelley

Vencer a morte é a busca do doutor Victor Frankenstein (Kenneth Branagh). O resultado de suas experiências traz ao mundo a Criatura (Robert De Niro). Acontece que o criador se arrepende de seu feito e abomina sua cria, o que gera uma série de conflitos. Robert De Niro se tornou minha Criatura preferida do cinema, assim como Gary Oldman se tornou o Drácula.



Para finalizar, um filme escrito e dirigido por Joe Schumacher, que reuniu dois grandes atores em uma peculiar e maravilhosa trama. Em Ninguém é Perfeito (Flawless/1999), Walt Koontz (De Niro) é um policial conservador ao extremo, que sofre um derrame que o deixa debilitado. Seu programa de reabilitação inclui lições de canto, que ele acaba sendo obrigada a ter,  por não conseguir se movimentar bem, com um dos vizinhos com quem costuma ser hostil, a drag queen Rusty (Philip Seymour Hoffman).

Ninguém é Perfeito

Flawless
é um filme que aborda o momento em que somos obrigados a encarar as diferenças e, ao fazê-lo, percebemos que elas não são tão gritantes como pensávamos, ou ofensivas, que às vezes são, na verdade, reveladoras e positivas. Tanto De Niro quanto Hoffman estão maravilhosos. Um belo filme, que fecha minha lista dos cinco dos que mais gosto com Robert De Niro.



Mas a lista é realmente longa...



Partilhar

Nenhum comentário: