DOMINGO >> Sergio Geia

 

 
As mangas estão amarelinhas, pé tomado, cachos e mais cachos. Quando mudei pra cá reparei nos buracos dos telhados, não entendia a razão. Numa tarde de chuva grossa descobri: o vento atirava as mangas para os telhados, alguns velhos, não resistiam. 
 
Eu escrevo esta crônica num domingo, dia dedicado ao Senhor. Aliás, como é bom o silêncio do domingo. Sem aquela parafernália cotidiana, carros, buzinas, falatório. Andar na Professor Moreira silenciosa, na Armando Salles, na Santa Teresinha. 
 
A propósito, falando de silêncio e de igreja, me vem à mente a sexta da Paixão. Tão logo terminávamos de encenar a Via Crucis em volta da praça, nos reuníamos para comemorar a apresentação. Abraços, falatório, agitação, bem típicos da juventude. E não é que sempre alguém aparecia para nos repreender? Hoje é dia de silêncio, diziam. 
 
Se há um dia que é de silêncio, esse dia é hoje, o domingo. Não por imposições sacras, mas porque as pessoas dão uma sossegada. Agora, por exemplo. Há uma senhora no quintal cuidando de seu pomar. Ao fundo, lá no Ekobé, vejo uma bola de futebol esquecida na quadra. São poucos os carros zanzando. Ouço maritacas, passarinhos, cachorros. Logan não. Logan toma o seu solzinho de domingo, numa preguiça só. A falta de barulho é tanta, mas tanta, que a gente até consegue se ouvir. Ah, e é tão bom! 
 
E ouço assim: manhã ensolarada, que tal uma volta na praça? Desço com alegria e meu bom-dia ao porteiro não me deixa mentir. Há novidades no pedaço. Já espiava a construção. No início pensei ser mais uma loja de carros. Engano meu. Chama-se Viela. Está entre o BarBacana e o Quintal. Mais uma opção de gastronomia. Pitadella, Cobogó, Café Conceito e outros mais, todos dividindo o mesmo espaço, como numa praça de alimentação de shopping, mas bem mais agradável, metade ao ar livre, metade abrigada. A ideia me remeteu ao Calçadão Urbanoide, entre a Augusta e a Frei Caneca. Lá são food trucks, mas o conceito é parecido. 
 
Por falar em Quintal, ele fechou. Quer dizer, fechou e abriu. É que na Santa Teresinha não há mais sinal dele. No entanto, passando o Fritz, na Marechal Arthur, sentido delegacia, você encontra o Quintal, um lugarzinho novo e pra lá de simpático. Mandachuva fechou, mais uma vítima da pandemia. Onde vou encontrar o filé mignon quatro queijos? Caio, please, ressurja das cinzas, irmão! 
 
Ontem à tarde teve BarBacana. Eles trazem um novo conceito, mistura de bar-balada, com comidinhas de boteco da melhor qualidade. Como só fico na vontade, pois sem vacina, jamé, peço no delivery, a comida vem quentinha, especial, dá pra notar o carinho com que o Rodrigo trata o cliente e o preparo. 
 
Pelo jeito a Santa Teresinha continua a mesma, a ferver principalmente no final de semana, e não teve pandemia que mudasse o cenário. Na volta pra casa me seguro pra não parar no Viela, comer uma panqueca, mandar um Pé de Truco pra dentro, mas isso fica pra depois.

Comentários

branco disse…
serginho.....comento pouco as suas, mas tem algumas que me pegam de jeito e essa....bem essa me deu um glimpse para escrever alguma coisa sobre um trecho....fazer um poeminha sobre uma coisa que você falou.....quando ficar pronto te mostro.,..indo lá escrever....ahhhh..acho que já falei...essa é daquelas que me pegam de jeito !
Zoraya Cesar disse…
Mais uma delícia delicada, Sergio! me senti andando com vc por essas calmarias verdes e cantantes de passarinhos. Me diz, o q é um pé de truco?
sergio geia disse…
Wilson, adorei o poema. Pé de Truco é uma cachaça aqui da região. Ótima, Zô!

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