Pular para o conteúdo principal

sentados no meio-fio >>> branco



no horizonte da minha infância
o sol levanta-se bem cedo e animado
eu olhava a grama verde
ainda molhada pelo orvalho
e ouvia o barulho da carroça que trazia pães e leite
o sino da igreja
chamando os fiéis para a missa

correr pelas ruas descalço
vivendo dentro de um sonho
enquanto sonhava outros sonhos - que me fugiriam - 
meus amigos - meninos - alegres e sujos
sentados no meio-fio de uma rua qualquer
a maior criação divina
que eu deixei empoeirar

olhem para este homem parado
enquanto aguarda na calçada
sua vez de atravessar a faixa de pedestres
agora ele caminha apressado
voltando ao trabalho no qual não pode se atrasar
tragado pela maré de um oceano chamado evolução
e seu maior desafio será
continuar empregado até a velhice

mas
a grama molhada ainda persiste
o sol continua a nascer todos os dias
e os empoeirados meninos sentados no meio-fio
um sonho a realizar
o barulho da carroça
nunca ser engolido pela maré
o sino tocando
Deus em toda a sua glória
e aquele velho 
foram felizes para sempre





fotografia : web
artwork : sonnie










Comentários

Ana Dib disse…
Ainda há o cheiro de terra molhada na sua alma linda.
Salete Ortiz disse…
Essa me fez pensar no que desejamos e no que realmente conseguimos. Mas o desejo primitivo grita sempre em nosso interior. Lindo e realisticamente incontestável.
Anônimo disse…
Pois é meu amigo...já não és mais o menino sentado na calçada. ..mas sua alma continua linda e pura como na infância inocente daquele menino. ..
Carlos Eduardo disse…
Elegante, nostálgico e atual. Este texto é uma obra de arte. Obrigado por compartilhar!
Sandra disse…
amei.
Wilson disse…
É impressionante como você consegue passar de uma poesia cinematográfica para uma interiorização que delimita a tristeza da esperança. Mais uma vez você nos mostra um poesia maior e de ápice em ápice nos deixa mal acostumados. Abraços !
Antonia Guerra disse…
Eu me vi sentada no meio fio.Gratas recordações. É mto prazeroso viajar no tempo.Obgda
Anônimo disse…
Meu amigo Deus abençoe grandemente por sempre nos proporcionar uma leitura belíssima e de reflexão sem par.,Estamos juntos e tenha uma excelente semana. Grande abraço!
Walter disse…
É o menino que vive em nós que nos faz seguir em frente.
Solange disse…
Amei. É sua alma falando.
Anônimo disse…
Que lindo, me vi na cena!
Zoraya Cesar disse…
My Lord, inclino-me, agradecida, por esse pedaço de esperança e beleza q vc generosamente nos ofertou. Que a vida nao nos tire nunca a capacidade de sentir o cheiro da grama molhada, ouvir sinos e de não sermos engolidos inteiramente pela maré.
Tereza Lima disse…
Posso sentir o cheiro de terra...
Anônimo disse…
Fez-me lembrar da minha infância em Caraguá dia de jogo chuva,Campo encharcado era tudo alegria .....
Marcelinho disse…
Me deparei olhando minha Vida pelo retrovisor... Voltei ao passado sentindo até o cheiro da vida simples que vivi... Uma verdadeira obra prima pela absoluta e real sintetização! Nenhuma surpresa vindo de você, meu Amigo.
Daniela Lara disse…
Numa cena tão comum, a delicadeza dos pormenores que impregnam a alma...
Albir disse…
Se eu soubesse escrever isso, eu escreveria exatamente isso de mim. Ainda bem que você sabe. E escreve de nós.